ONU pede ajuda no valor de US$ 187 milhões para Mianmar

Joaquim Utset Nações Unidas, 9 mai (EFE).- A ONU pediu nesta sexta-feira aos doadores internacionais ajuda urgente no valor de US$ 187 milhões para os cerca de 1,5 milhão de desabrigados pelo ciclone Nargis em Mianmar (antiga Birmânia), em meio de tensões com a Junta Militar que governa o país asiático.

EFE |

"A magnitude desta catástrofe é enorme e o número de pessoas que precisam de ajuda pode ser que aumente à medida que tenhamos um melhor conhecimento da situação", avaliou hoje o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, ao apresentar o plano de ação com o pedido de fundos.

O Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU (Ocha) apelou para a comunidade internacional para que a contribuição seja dada o mais rápido possível para financiar as operações humanitárias já iniciadas nos últimos dias para ajudar as vítimas do desastre.

Holmes disse que o número de atingidos pelo ciclone está entre 1,2 milhão e 1,9 milhão de pessoas, enquanto a de mortos estaria entre 63.000 e 100.000, ou "possivelmente muito mais".

Segundo os meios de imprensa estatais birmaneses, a passagem do ciclone Nargis deixou cerca de 23.000 mortos e 42.000 desaparecidos.

"Repito que o mais rápido possível se permita a entrada de voluntários e quanto menos trâmites e obstáculos existirem, mais vidas poderão ser salva", destacou.

Ele insistiu em que a possibilidade de acontecer um foco epidêmico "aumenta de hora em hora", o que representaria "uma segunda catástrofe".

Holmes reconheceu que esteve a ponto de anular a apresentação pública deste plano de ação perante a polêmica causada horas antes pela decisão birmanesa de bloquear uma carga do Programa Mundial de Alimentos (PMA), o que levou à suspensão por um breve período de tempo do envio de ajuda ao país.

Minutos depois, o embaixador de Mianmar na ONU, Kyaw Tint Swe, que estava sentado junto a Holmes, reiterou que seu país está disposto a aceitar "ajuda de qualquer parte" e citou a aprovação dada a um avião militar dos Estados Unidos para que aterrisse com ajuda.

"Estamos tentando acelerar e melhorar nossas ações de socorro", disse, após informar que foram mobilizados 10 divisões do Exército, helicópteros e 10 naves militares.

Assegurou que os trâmites burocráticos não podem ter desacelerado a distribuição de ajuda internacional porque foram eliminadas, e assegurou que as cargas estão sendo enviadas o quanto antes possível para as regiões afetadas.

A declaração do representante birmanês suavizou as críticas contra seu Governo feitas por algumas delegações, mas não evitou que vários discursos pedissem diretamente ao regime militar para que facilite a cooperação a externa.

"Esperamos que as declarações feitas hoje pelo embaixador de Mianmar representem uma mudança na disposição de seu Governo em aceitar ajuda de todas as partes sem nenhuma politização", disse o embaixador do Reino Unido, John Sawers.

Seu colega dos EUA, Zalmay Khalilzad, também expressou seu desejo de que a decisão de permitir a chegada de um avião C-130 de seu país a Yangun represente o início de um maior esforço bilateral para ajudar os desabrigados.

O embaixador americano assegurou que a Marinha de seu país tem em águas próximas a Mianmar um navio com 23 helicópteros que podem ser usados na distribuição de ajuda às regiões isoladas do país.

Da mesma forma que outros embaixadores, Khalilzad pediu às autoridades birmanesas que aceitem a entrada ano país de voluntários internacionais e funcionários de agências da ONU que permanecem esperando vistos de entrada no país.

O Ministério de Exteriores birmanês disse hoje em comunicado divulgado em Yangun que foi dada prioridade à ajuda internacional, mas prefere que a distribuição seja realizada mediante seus próprios cidadãos.

Holmes disse posteriormente que as negociações com as autoridades para decidir como será distribuída a ajuda internacional continuam.

Assegurou se sentir "menos frustrado" em relação ao período da manhã quando o PMA suspendeu temporariamente os vôos a Yangun, mas reiterou que a cooperação do Governo birmanês continua sendo "vital".

O subsecretário-geral da ONU calculou que a comunidade internacional, por enquanto, prometeu contribuir com US$ 77 milhões, aos quais se somam os US$ 20 milhões que serão desenbolsados pelo fundo de emergências das Nações Unidas. EFE jju/ma

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