Joaquim Utset. Porto Príncipe, 10 mar (EFE).- O Haiti precisa da generosidade internacional sob a forma de doações e investimento privado para evitar que o país caia de novo na escuridão, asseguraram hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Com esta mensagem, os dois fecharam uma visita de dois dias ao Haiti, na qual ofereceram apoio aos esforços do presidente René Préval para estimular a combalida economia do país e chamaram a atenção para a situação crítica pela qual a nação atravessa.

"O presidente Préval tem razão, o Haiti se encontra em um ponto de inflexão e pode descer de novo para a escuridão. Mas, com a ajuda de todos, podemos conseguir que volte à luz", destacou Ban em entrevista coletiva antes de deixar o país.

Por isso, ressaltou que "a comunidade internacional deve continuar ajudando este país para que se erga de novo".

As Nações Unidas consideram extremamente importante a conferência de doadores que será realizada em Washington entre 11 e 14 de abril, da qual depende o financiamento de boa parte dos projetos de cooperação implementados no Haiti.

Ban assegurou que abordará a questão na reunião que ocorrerá hoje mesmo na capital americana com o presidente Barack Obama, logo após chegar aos Estados Unidos.

Clinton também se comprometeu a cooperar para conseguir o sucesso da conferência de doadores, e destacou que a colaboração com o Haiti será um dos assuntos centrais da reunião anual da fundação, em setembro.

"Acompanho há 30 anos a evolução do Haiti, e esta é a primeira vez que vejo que tem a possibilidade de escapar da miséria e da opressão", asseverou o ex-presidente.

A ONU e o Governo haitiano concentram suas esperanças de desenvolvimento na promoção do esquecido setor agrícola e na implantação de empresas têxteis que aproveitem as vantagens tarifárias concedidas pelos Estados Unidos.

Antes de deixar o Haiti, Ban e Clinton visitaram o parque industrial de Sonapi, nos arredores de Porto Príncipe, no qual há algumas fábricas têxteis instaladas.

"É disso que precisamos neste país, de trabalho", disse ao secretário-geral da ONU o dono de uma das empresas, Coles Serge, apontando para os centenas de empregados que faziam camisetas de uma famosa marca americana.

Serge disse à Agência Efe que os três mil funcionários da fábrica recebem uma média de US$ 5 a hora, o que representa aproximadamente três vezes mais que o salário mínimo oficial.

O Haiti está entre os países mais pobres do mundo e é considerado pelo Banco Mundial (BM) como um nos quais há uma alta exposição à pobreza, sem capacidade institucional para aumentar o gasto e iniciar programas que protejam os mais vulneráveis.

Em dezembro, a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) informou que o Haiti se mantém atrasado em relação ao resto dos países da região, ao registrar, em 2008, um crescimento em torno de 1,3% e ter uma taxa de inflação próxima a 20%.

Durante sua estadia no Haiti, Ban e Clinton, além de visitarem escolas nos bairros de Cité Soleil e Turgeau, próximos a Porto Príncipe, se encontraram com Préval e com a primeira-ministra, Michèle Pierre-Louis.

Após essa reunião, Ban insistiu na ideia de que o Haiti tem que "aproveitar a atual oportunidade" e fazer o possível, com a ajuda da comunidade internacional, para sair da estagnação econômica e caminhar definitivamente em direção ao desenvolvimento.

A ONU teme que a falta de oportunidades possa levar novamente à desestabilização do país, no qual o organismo mantém uma missão de estabilização, a Minustah, desde 2004.

Prova da importância que as Nações Unidas concedem ao país é que, amanhã, os membros do Conselho de Segurança, liderado pelo embaixador da Costa Rica perante o organismo multilateral, Jorge Urbina, iniciarão uma viagem de quatro dias ao Haiti. EFE jju/db

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