Genebra, 2 fev (EFE).- As Nações Unidas insistiram hoje na necessidade de que haja livre e total acesso à Faixa de Gaza a fim de poder distribuir a ajuda humanitária, por isso pediu novamente a Israel que abra todas as passagens fronteiriças.

"Precisamos de livre acesso à Faixa de Gaza, para a comida, a ajuda de assistência, o pessoal e o dinheiro. Precisamos da total, previsível e sistemática abertura dos cruzamentos", disse, em entrevista coletiva, o vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes.

O funcionário da ONU apresentou hoje aos países doadores o plano humanitário de emergência de US$ 613 milhões que pretende fazer frente às necessidades "mais urgentes e imediatas" da população da Faixa de Gaza.

As três semanas de bombardeios israelenses sobre esse território palestino deixaram 1,3 mil mortos, 5,3 mil feridos, 21 mil casas totalmente destruídas, e a maioria dos serviços básicos destruídos.

Por isso, a ONU entrega assistência alimentícia a cerca de 365 mil pessoas, cerca de 100 mil a mais que antes do início da ofensivas israelense, em 27 de dezembro do ano passado.

Diante dos eventuais doadores, Holmes disse que para que o dinheiro entregue tenha efeito, "a primeira coisa necessária é livre acesso para as pessoas e as mercadorias humanitárias".

"Deve haver um fluxo regular, previsível, ininterrupto e suficiente de mercadorias e de trabalhadores humanitários para que o esforço de emergência tenha sucesso", acrescentou Holmes diante dos representantes da comunidade internacional.

O vice-secretário-geral explicou que, "embora seja paradoxal", agora há mais acesso do que antes das últimas hostilidades, por isso disse que seria inaceitável voltar ao bloqueio exercido por Israel contra Gaza durante 18 meses.

"Voltar ao tipo de restrições de acesso que havia antes das hostilidades seria inviável", acrescentou Holmes.

Além da abertura de todas as passagens fronteiriças, a ONU considera essencial que se mantenha o cessar-fogo, e que não haja "nenhuma interferência política de nenhuma das partes".

Holmes não quis dar detalhes sobre este aspecto e afirmou que a ONU podia trabalhar com relativa independência.

Outro aspecto que Holmes apontou como prioritário para relançar a economia da Faixa de Gaza é a necessidade de que haja fluxo de dinheiro.

Esse dinheiro é impresso na Cisjordânia e tem que entrar em Gaza, um percurso também controlado por Israel.

Em relação à resposta inicial dos doadores, o vice-secretário disse que foi "positiva", mas não pôde antecipar nenhum compromisso efetivo. EFE mh/an

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