ONU: Países ricos devem dar mais dinheiro para combater fome mesmo com crise

Belén Anca López. Madri, 27 jan (EFE).- A reunião de alto nível sobre Segurança Alimentar realizada em Madri terminou hoje com o apelo da ONU para que os países mais ricos aumentem os fundos destinados à luta contra a fome e o compromisso da Espanha de fornecer US$ 1,3 bilhão com este objetivo.

EFE |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, foram os responsáveis por encerrar esta reunião que durante dois dias aconteceu em Madri e na qual se abordou a luta contra a fome no âmbito dos Objetivos do Milênio.

A conferência estabeleceu um programa para garantir o cumprimento dos compromissos adquiridos na cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), realizada em Roma em junho passado, e deu alguns passos para a criação de uma Aliança Global contra a Fome proposta pela Espanha.

Em seu discurso, Ban Ki-moon pediu aos países mais ricos que aumentem os fundos destinados à luta contra a fome e a pobreza apesar da crise econômica mundial e falou da necessidade de forjar mecanismos de coordenação melhorados para atenuar a crise de alimentos.

"A fome é uma profunda mancha no mundo. Chegou o momento de erradicá-la para sempre", declarou.

Apostou em fazer o "máximo esforço" para manter a fome no centro dos objetivos políticos e disse: "A História nos julgará pela resposta que demos".

Ban considerou "intolerável" que haja 1 bilhão de pessoas no mundo que passem fome apesar de o preço dos alimentos ter caído em relação ao passado, no que concordou com Zapatero, que disse que este número " deveria produzir rubor e vergonha em toda a humanidade".

O presidente do Governo espanhol, promotor desta cúpula, anunciou uma contribuição de 1 bilhão de euros (cerca de US$ 1,3 bilhão) durante os próximos cinco anos para lutar contra a fome e promover uma agricultura sustentável.

"É urgente restabelecer o crescimento das economias nacionais e do emprego. É a isto que dedicamos grande parte de nossa tarefa, mas há algo mais imprescindível, imperioso e necessário: avançar na ajuda em favor do desenvolvimento e, em particular, na luta contra a fome e a pobreza extrema", declarou Zapatero.

Esta contribuição do Governo espanhol se une aos 500 milhões de euros (US$ 659 milhões) que Zapatero ofereceu na última cúpula da FAO.

Além disso, Ban Ki-moon avaliou o trabalho realizado em 2008 para frear a crise de alimentos provocada pelo aumento do preço do petróleo, embora tenha apelado a "trabalhar mais duro" em 2009, "este ano de recessão".

Zapatero também se referiu à atual situação econômica para advertir que, apesar de o aumento dos alimentos ter se moderado por causa das boas colheitas, estes ainda estão altos e deve-se alertar do impacto da crise financeira e econômica na ajuda oficial ao desenvolvimento.

No entanto, o chefe do Governo espanhol ratificou seu compromisso de destinar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para a ajuda ao desenvolvimento em 2012.

A agricultura foi a grande protagonista dos debates desta cúpula, na qual Ban Ki-moon pediu que se apresentasse mais ajuda, principalmente aos pequenos produtores e agricultores para que não tenham suas colheitas prejudicadas.

Ban Ki-moon celebrou a proposta da Espanha de criar uma Aliança Global contra a Fome, uma iniciativa voltada para canalizar recursos adicionais para o setor agrícola e programas de nutrição, mas sem criar novas instituições.

"Temos instituições suficientes para fixar as prioridades. O que necessitamos é de uma coordenação mais efetiva", declarou Ban.

Para Zapatero, esta cúpula de Madri cumpriu seu objetivo de dar um "forte impulso" à mobilização de recursos "em favor de dar alimentos para as pessoas".

"Trata-se de transformar a desesperança que gera a fome na esperança de dar vida com alguma dignidade para milhões de pessoas", declarou o presidente do Governo espanhol, que qualificou de "obrigação" buscar uma saída para esta "armadilha humanitária". EFE bal/fal

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