ONU não sabe se doação de Bush ajudará combater crise alimentar

Por Phil Stewart ROMA (Reuters) - O Programa Mundial de Alimentação (WFP) afirmou na sexta-feira que não tem certeza ainda sobre se uma proposta norte-americana de doar 770 milhões de dólares a mais em comida ajudaria a alimentar os pobres e cobriria um déficit orçamentário provocado pela disparada do preço dos produtos alimentícios.

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O WFP, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que enfrenta atualmente um déficit de 755 milhões de dólares, afirmou que os EUA precisam decidir-se sobre como dividir o dinheiro entre as várias entidades de ajuda humanitária do mundo.

'Teremos de esperar para ver como esse dinheiro será distribuído entre as diferentes agências envolvidas na resposta ao impacto provocado pelos preços mundiais dos alimentos', afirmou Gregory Barrow, porta-voz do WFP.

'No entanto, com certeza, esse é um passo importante para todos nós que enfrentamos esse problema.'

Ainda assim, a Organização das Nações Unidas para os Alimentos e a Agricultura (FAO) disse que a proposta de ajuda norte-americana somada ao aumento de doações previsto no caso de outras entidades poderia 'permitir que os países afetados superem as dificuldades resultantes da alta dos preços de mercado'.

O Congresso dos EUA ainda tem de aprovar o montante que o presidente George W. Bush sugeriu na quinta-feira -- esses fundos estariam disponíveis no dia 1o de outubro.

O WFP, com sede em Roma e que pretende alimentar 73 milhões de pessoas famintas em 80 países neste ano, diz que o custo de prover comida para os necessitados subiu quase 55 por cento desde que elaborou seu Orçamento de 2008, na metade do ano passado.

As previsões de gasto viram-se duramente prejudicadas pelo acentuado aumento do preço de alimentos básicos tais como os grãos. Os preços do arroz asiático, por exemplo, quase triplicaram neste ano e os preços da Bolsa de Comércio de Chicago elevaram-se mais de 80 por cento.

Diante de uma crise mundial dos alimentos que ameaça gerar distúrbios em várias partes do mundo, o WFP pediu aos doadores, no final de março, que o ajudassem a enfrentar um aumento de 500 milhões de dólares nos gastos previstos para manter os programas já elaborados para este ano. Mais tarde, o órgão corrigiu a cifra para 755 milhões de dólares.

Em virtude das promessas feitas por países como o Canadá, a Austrália e a Grã-Bretanha, o WFP afirmou estar cobrindo o déficit.

'Conseguimos cobrir em cerca de 70 por cento a cifra de 755 milhões, e isso antes do anúncio feito por Bush', disse Barrow.

Segundo o porta-voz, o Canadá aumentou seu comprometimento em quase 45 milhões de dólares, um montante quase equivalente à meta de 30 por cento de elevação sugerida pelo WFP aos principais doadores mundiais.

A Austrália elevou sua promessa de doação em 27,5 milhões de dólares ao passo que a Grã-Bretanha o fez em 60 milhões.

O WFP disse ainda ter recebido 20,5 milhões de dólares adicionais da Alemanha.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou em abril que seu país dobraria sua verba orçamentária para a doação de alimentos em 2008, para quase 100 milhões de dólares.

Normalmente, o WFP receberia 70 por cento dos gastos franceses com as verbas para alimentos, mas as partes ainda negociam a fim de determinar se a proporção se aplicaria à nova cifra.

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