ONU não chega a consenso em resolução sobre Gaza

O Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiu chegar a um consenso sobre uma resolução pedindo um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Um esboço de resolução, apresentado em uma reunião de emergência a pedido da Liga Árabe, acabou não sendo submetido formalmente a votação por causa de divergências entre os representantes dos países que integram o conselho.

BBC Brasil |

Embaixadores de Estados Unidos e Grã-Bretanha reclamaram que o texto, apresentado por Líbia e Egito, não fazia referência aos ataques palestinos contra Israel que, segundo eles, motivaram a atual ofensiva israelense.

Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, já havia rejeitado pedidos para uma trégua de 48 horas para permitir o fluxo de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

Em Nova York, o emissário palestino nas Nações Unidas (ONU), Rijad Mansour, exigiu uma resolução para garantir uma trégua imediata.

Mas a embaixadora israelense, Gabriela Shalev, disse que seu país vai continuar a fazer o que for necessário para se proteger contra o que chamou de "terrorismo".

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, um dos dos membros permanentes do Conselho de Segurança com direito a veto, disse acreditar que depende de Israel e do movimento palestino Hamas concordar com um cessar-fogo, e que a ONU não deve impor um acordo.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que vai visitar a região em uma tentativa de por fim à crise, que já dura cinco dias.

Bush


O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu na quarta-feira que o grupo militante palestino Hamas pare de lançar foguetes contra Israel como um primeiro passo para um cessar-fogo em Gaza.

"O presidente Bush considera que o Hamas precisa parar de lançar foguetes, este será o primeiro passo para um cessar-fogo", afirmou o porta-voz do governo americano Gordon Jonhdroe.

Ele acrescentou que Bush conversou por telefone com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que teria afirmado que a ofensiva de seu país em Gaza está se concentrando em alvos do Hamas e que estão sendo tomadas as medidas necessárias para evitar a morte de civis.

Bush também teria dito a Olmert que qualquer trégua nos conflitos deve ser permanente.

Um comunicado divulgado pela União Européia também pediu uma interrupção "incondicional" nos lançamentos de foguetes pelo Hamas.

O chefe político do Hamas, Khalid Meshal, teria afirmado ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que o grupo pode interromper os ataques caso Israel suspenda o bloqueio à Faixa de Gaza.

Em um discurso televisionado em Ramallah, na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que "não hesitará em interromper" as negociações de paz com os israelenses "caso eles ajam contra os nossos interesses e ofereçam apoio à agressão".

Abbas também classificou a ofensiva israelense em Gaza como uma "agressão criminosa e bárbara".

Mahmoud Abbas é o líder do Fatah, grupo palestino laico que perdeu o controle da Faixa de Gaza para o Hamas em 2007.

Ataques


No quinto dia de ofensiva, mísseis israelenses atingiram túneis usados pelos palestinos na fronteira de Gaza com o Egito e prédios ligados ao Hamas.

Foguetes palestinos foram lançados próximo a cidade israelense de Beersheba, a 40 km da fronteria com Gaza, na terça e na quarta-feira.

Embora não tenham sido registrados maiores danos, estes foram os ataques com foguetes de maior alcance já registrados contra Israel, o que deve aumentar o apoio público para a continuidade da ofensiva.

Israel convocou mais 2,5 mil reservistas para seu Exército e os preparativos para uma possível invasão por terra continuam na fronteira com Gaza.

Por meio de um comunicado, o Hamas ameaçou o país e disse que, no caso de uma invasão, "as crianças de Gaza irão colecionar parte de corpos de soldados israelenses e pedaços de tanques".

Mortos


Fontes palestinas dão conta de que pelo menos 391 pessoas teriam morrido desde o início dos ataques israelenses à Faixa de Gaza, no último sábado.

Segundo a Organização das Nações Unidas, há pelo menos 62 civis entre os mortos. Fontes médicas palestinas informam que há cerca de 1,7 mil feridos, que congestionam os hospitais de Gaza.

Do lado israelense, há notícias de pelo menos quatro mortes, entre elas a de um militar.

A ONU afirmou nesta quarta que vai retomar a distribuição de alimentos e medicamentos em Gaza na quinta-feira.

Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse à BBC que a situação dos hospitais em Gaza está em "seu limite máximo" e que eles precisam urgentemente de ajuda.

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