ONU lança estratégia para conter crise de alimentos

Isabel Saco Berna, 29 abr (EFE).- A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou hoje uma estratégia para enfrentar a crise provocada pelo aumento do preço dos alimentos que se apóia principalmente na vontade dos doadores de financiar o trabalho das organizações humanitárias.

EFE |

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a "prioridade imediata é alimentar os que sofrem com a fome", o que passa por fornecer os recursos que necessitam o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO).

Segundo a diretora do PMA, Josette Sheeran, seu programa pediu US$ 755 milhões para cobrir parte custo dos alimentos básicos (principalmente cereais) e de combustível necessário para sua distribuição.

Já a FAO quer US$ 1,7 bilhão para levar sementes, adubo e alimentos para gado aos países de poucos recursos e com déficit alimentício de modo que possam aumentar sua produção, elemento chave na estratégia proposta pela ONU.

No entanto, o plano não recomenda uma moratória à produção de biocombustível - amplamente aceita como uma das principais causas da crise - nem o estabelecimento de uma mecanismo para controlar a especulação financeira sobre os alimentos no mercado internacional, como foi proposto por alguns especialistas e ONGs.

Para Ban, "não existe uma causa única" para o que alguns chamam de "tsunami da fome" e, embora tenha admitido que a acelerada produção de biocombustível teve uma grande influência, afirmou que a mudança climática e a variação dos padrões de consumo na Ásia (Índia e China) também foram determinantes para este problema.

Em entrevista coletiva após uma reunião com os representantes dos organismos e agências da ONU, Ban também disse que uma decisão fundamental para resolver esta crise está nas mãos dos países industrializados que, segundo ele, devem acabar com seus subsídios agrícolas.

"Os subsídios dos países ricos, que distorcem o comércio, prejudicam também a produção de alimentos nos países pobres", declarou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que também participou da reunião.

Por esta razão, ele defendeu a necessidade de se avançar nas estagnadas negociações da Rodada de Doha, o que representaria "uma redução de até 75% destes subsídios" e a "eliminação total" dos incentivos às exportações.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciou que sua entidade estuda a criação de um mecanismo para facilitar os créditos nos países mais vulneráveis.

O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, afirmou que "se sabia que o que está ocorrendo iria acontecer" e que alertou "várias vezes sobre isto, mas a comunidade internacional não tomou as decisões adequadas no momento certo".

Segundo ele, um aspecto chave para reverter a tendência na alta do preço dos alimentos será melhorar a produção, o que demanda fornecimento de insumos básicos aos agricultores.

Diouf advertiu que o contrário provocará o agravamento da situação no próximo ano. Segundo ele, o aumento nos custos de energia e adubos "obrigará os agricultores a plantarem menos na próxima estação", disse.

Para tratar esta questão, Ban convidou os líderes mundiais para participarem de uma conferência sobre alimentação que acontecerá em Roma entre os dias três e cinco de junho. EFE is/rr/fal

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