ONU lança ataques contra Gbagbo na Costa do Marfim

Helicóptero atacou com mísseis campo com armamentos pesados das forças leais ao líder marfinense que recusa derrota eleitoral

iG São Paulo |

Um helicóptero das Nações Unidas atacou com mísseis um campo com armamentos pesados das forças leais a Laurent Gbagbo, líder da Costa do Marfim que se recusa a reconhecer a derrota eleitoral para Alassane Ouattara. O ataque ocorre no momento em que o governo francês autorizou tropas francesas a atuar em operações da ONU em território marfinense, em uma escalada dos esforços da comunidade internacional contra Gabgbo sem precendentes.

O ataque com helicóptero ocorreu às 17h locais (14h em Brasília) para prevenir que as armas no campo de Akouedo, em Abidjan, fossem utilizadas por forças leiais a Gbagbo, de acordo com o porta-voz do Departamento de Missões de Paz da ONU, Nick Birnback. Segundo ele, o ataque foi feito de acordo com a missão aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma resolução na semana passada condenando "fortemente a recente escalada de violência no país que poderia configurar crimes contra a humanidade".

AFP
Tropas francesas patrulham partes de Abidjan, maior cidade do país
A resolução unânime também garantia "apoio pleno" à força de paz da ONU na Costa do Marfim "para usar todos os meios necessários para proteger civis sob iminente ameaça de violência física... incluindo a prevenção contra o uso de armamento pesado contra a população civil".

Mais cedo, Choi Young-jin, representante especial da secretaria-geral da ONU na Costa do Marfim, havia dito que um ação estava sendo planejada. "Não podemos mais tolerar ataques irreponsáveis contra civis e capacetes azuis das Nações Unidas com armas pesadas", disse ao se referir à morte de 11 soldados da missão de paz da ONU nos últimos dias..

Ele havia dito também que 9 mil soldados que são parte da missão da ONU na Costa do Marfim (Unoci) não têm um mandado para retirar Gbagbo do poder, mas têm poder para responder a ataques com armamento pesado contra civis ou membros da ONU. "Vamos usar nossos recursos aéreos. Tomaremos um ação em breve", acrescentou.

Segundo informações da BBC, autoridades da missão da ONU no país acusam forças pró-Gabgbo dos ataques contra uma base da ONU em Abidjan, maior cidade do país. A ameaça é feita paralelamente a ações de militares franceses no país que buscam retirar os estrangeiros do país africano.

França

Ex-metrópole da Costa do Marfim quando colônia, a França tomou o controle do aeroporto da cidade de Abidjan e planeja trazer mais 150 soldados para seu contingente de 1.650 no país. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, autorizou tropas franceses a participar das operações da ONU em território marfinense.

A França, que tem cerca de 12 mil cidadãos na Costa do Marfim, mantém uma força de paz no país desde a época da guerra civil marfinesa (2002-2005).

O governo francês deu início a uma operação, nesta segunda-feira, para retirar cidadãos franceses de três pontos de Abidjan. Um deles é um campo militar, onde estão cerca de 1.650 estrangeiros, sendo metade franceses.

Ainda nesta segunda-feira, forças de Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional, contra os últimos redutos de Gbagbo foi lançada. O objetivo da ofensiva é avançar para Plateau, no centro de Abdijan e Cocody, no norte da cidade. No bairro administrativo de Plateau está o palácio presidencial e em Cocody, a residência presidencial, onde supostamente se encontra Gbagbo.

*Com Reuters, AP, AFP e BBC

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