ONU lança alerta pelo aumento mundial do cultivo de coca e ópio

(embargada até às 14h, em Brasília) Viena, 26 jun (EFE).- A ONU afirmou hoje que os avanços no combate contra a toxicomania registrados nos últimos anos estão em perigo por causa do aumento mundial do cultivo de ópio e de coca.

EFE |

Esta previsão se baseia nas informações do Relatório Mundial sobre as Drogas 2008, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) e publicado por ocasião do Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, que reúne informações já conhecidos como o aumento de 17% da superfície do cultivo do ópio no Afeganistão em 2007, para até 193 mil hectares.

"Os grandes aumentos registrados ultimamente na oferta de entorpecentes procedentes do Afeganistão e da Colômbia podem fazer com que aumentem as taxas de toxicomania por causa da queda dos preços e a maior pureza das doses", explicou o diretor da UNODC, o italiano Antonio Maria Costa em comunicado divulgado hoje em Viena.

No mundo todo, o cultivo do ópio alcançou este ano o total de 235.700 hectares, quase a mesma superfície que há 10 anos, mas a produção de heroína dobrou no mundo entre 2005 e 2007, até as 8.870 toneladas.

As exportações ilegais de ópio e heroína aumentaram no Afeganistão 29% em 2007, ao alcançarem o total de US$ 4 bilhões.

A ONU explica que 80% do cultivo de ópio registrado em cinco províncias do sul sob controle talibã, enquanto no restante do país o cultivo do ópio chega a seu fim ou passa por níveis baixos.

Por outro lado, o cultivo de folha de coca cresceu 27% na Colômbia em 2007 com relação ao ano anterior, até os 99 mil hectares, enquanto na Bolívia aumentou 5%, para 28.900 hectares, e no Peru 4%, para 53.700 hectares.

A área total de terras cultivadas com coca nos três países foi de 181.600 hectares, um aumento de 16% com relação a 2006, enquanto a produção potencial de cocaína fica em 994 toneladas, 10 toneladas a mais que as 984 calculadas em 2006.

A produção da folha de coca e de cocaína na Colômbia, indica a ONU, está concentrada em dez municípios, responsáveis de quase a metade da produção total de cocaína - 288 toneladas - e de um terço do cultivo - 35 mil hectares.

"Na Colômbia, da mesma forma que no Afeganistão, as regiões nas quais se cultiva mais coca estão sob controle dos rebeldes", afirmou Costa.

"Nos últimos anos o Governo colombiano destruiu grandes plantações de coca com o recurso de erradicações maciças por meios aéreos. Foi sem dúvida uma campanha frutífera contra os grupos armados e os traficantes. No futuro, com as Farc em situação precária, possivelmente seja mais fácil controlar o cultivo da coca", acrescentou o diretor da UNODC.

Os narcotraficantes também desenvolveram novas rotas em direção à África Ocidental para alcançar o mercado europeu e a ONU solicita que se ajude os Governos da região a combaterem as drogas. EFE ll/fal

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