Nações Unidas, 24 jun (EFE) - O Conselho de Segurança da ONU lamentou hoje que a Eritréia tenha ignorado os apelos para que retire as tropas que possui em solo do Djibuti e aceite reduzir a tensão entre os dois países vizinhos.

Os 15 membros do principal órgão expressaram em declaração preocupação com a tensão bilateral que ameaça originar um novo conflito na região do Chifre da África.

"O Conselho de Segurança reitera o apelo às partes, em particular à Eritréia, que retirem as forças às posições anteriores", diz a declaração lida pelo presidente de turno do órgão, o embaixador adjunto dos Estados Unidos, Alejandro Wolff.

Também encarrega ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o envio de uma missão à zona para que esclareça as circunstâncias do conflito.

Os membros do principal órgão concordaram em tornar pública a declaração após escutar um discurso do primeiro-ministro do Djibuti, Deleita Mohammed Deleita.

Ele solicitou hoje ao Conselho de Segurança da ONU ajuda para pôr fim "às agressões militares" realizadas nos últimos meses pela Eritréia, que ocupa desde 12 de junho algumas regiões fronteiriças pertencentes ao país vizinho.

Deleita ressaltou que, após os ataques sofridos na fronteira, como o registrado em 10 de junho, o Djibuti "se vê jogado em uma guerra fratricida" da qual não quer participar.

"Todas estas manobras estão claramente destinadas a desencadear uma guerra que nós queremos evitar", apontou o primeiro-ministro no discurso.

Ele assegurou que as forças armadas da Eritréia mantêm uma presença "em massa" no território do Djibuti que ocuparam depois que as tropas desse último país se retiraram da fronteira para evitar novos combates.

"O Conselho de Segurança não pode encarar superficialmente estas incursões injustificadas em nosso país de tropas da Eritréia ao longo de nossa fronteira", disse.

Ele assegurou que são "um mistério os verdadeiros objetivos" de Asmará, mas apontou que a atitude da Eritréia poderia ter como origem uma ação indireta contra o adversário regional, Etiópia, para a qual o porto de Djibuti é a maior porta de acesso ao comércio internacional.

Deleita indicou que o país tentou repetidamente abrir um processo de negociação com a nação vizinha, sem que o Governo eritreu até o momento tenha dado sinais de querer dialogar.

O Djibuti conta nesta crise com o respaldo da França e dos Estados Unidos, que mantêm uma presença militar regular na pequena nação, que conta com um dos principais portos da região.

Wolff levantou a possibilidade de "tomar medidas" contra o Governo de Asmará se esse não retirar as tropas da fronteira e reduzir a tensão.

O embaixador francês perante a ONU, Jean Maurice Ripert, reiterou na saída da reunião o apoio do país às autoridades de Djibuti e considerou "inaceitável" a presença de soldados eritreus em seu solo. EFE jju/db

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