A ONU tenta esclarecer se alguns de seus integrantes retiraram a escolta que acompanhava o ator George Clooney em uma visita a campos de refugiados no Chade por medo de que o ator criticasse o presidente do Sudão, Omar al Bashir, disse a organização nesta quinta-feira.


A porta-voz das Nações Unidas, Michelle Montás, confirmou que o ator americano se encontrava na perigosa região de fronteira entre Chade e Sudão, mas que a visita dele era de caráter pessoal e não como embaixador do órgão.

"Sabemos que ele estava ali, mas estamos tentando esclarecer os fatos", afirmou Montás, quem declinou confirmar o texto publicado nesta quinta pelo jornal "The New York Times".

Segundo Nicholas Kristof, um colunista do jornal que acompanhou o ator em sua viagem ao Chade, representantes da ONU lhes disseram que deixariam de escoltá-lo "aparentemente preocupados com que Clooney criticasse Bashir duramente".

Kristof lembra na coluna que uma colaboradora francesa da ONG Save The Children foi assassinada nessa mesma região no ano passado e afirma que os veículos da ONU trafegam pela área com escolta de seguranças.

"Se a ONU é tão frouxa na proteção de um de seus embaixadores pela possibilidade de que fale mal de um genocídio, não surpreende que o organismo e a comunidade internacional não tenham podido proteger centenas de milhares de habitantes de Darfur que carecem de voz", afirma Kristof.

Montás disse que a visita de Clooney tinha sido organizada pela ONG Not on Our Watch (Não sob Nosso Olhar), com a colaboração do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

A porta-voz disse também que a missão das Nações Unidas na República Centro-Africana e no Chade (Minurcat) carece de polícia armada, e que, portanto, não poderia ter oferecido escolta nenhuma. Segundo ela, a ONU encarrega dessas funções a polícia do Chade ou o contingente militar europeu (Eufor) na região.

A possibilidade de o Tribunal Penal Internacional (TPI) ordenar nos próximos dias a detenção do presidente Bashir por sua suspeita de responsabilidade nos massacres de Darfur -nos quais 300 mil pessoas morreram- mantém toda a região em alerta.

Leia mais sobre Sudão

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.