ONU insiste em coordenar negociações sobre clima pós-Copenhague

Por Alister Doyle e Gerard Wynn OSLO/LONDRES (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) insistiu na quarta-feira em continuar coordenando as negociações sobre um novo pacto climático, apesar dos resultados pífios da cúpula de Copenhague no mês passado, quando poucos países apoiaram um acordo pouco ambicioso.

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Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, afirmou que as negociações em 2010 seriam baseadas nas conversações da ONU iniciadas em 2007 sobre como ampliar o Protocolo de Kyoto e envolver todos os países com iniciativas.

O Acordo de Copenhague, com três páginas, patrocinado por grandes emissores, incluindo Estados Unidos e China, poderia, no entanto, ser um estímulo valioso para um acordo no próximo encontro da ONU no México em novembro, afirmou De Boer.

"Imagino que na teoria seria possível ter uma estrutura paralela, mas isso me parece um exercício incrivelmente ineficiente," disse ele numa conferência à imprensa via Internet a partir de Bonn, sobre a perspectiva de também negociar sobre o Acordo de Copenhague.

O Acordo de Copenhague busca restringir o aquecimento global para menos de 2 graus Celsius acima da era pré-industrial e oferece a perspectiva de 100 bilhões de dólares anuais em ajuda financeira para os países em desenvolvimento a partir de 2020.

O documento, por outro lado, omite o estabelecimento dos cortes nas emissões de gases-estufa necessários até 2020 ou 2050, para alcançar a meta da temperatura.

De Boer deixou em aberto, porém, se a reunião do México teria como resultado um tratado legalmente vinculante como pedido por muitos países.

Ele falou em "México ou depois" para os textos finais que buscam intensificar uma iniciativa para desacelerar novas ondas de calor, inundações, extinção de espécies, fortes tempestades e elevação do nível do mar.

O fracasso das negociações da ONU para chegar a um acordo -- apesar do prazo estabelecido para o fim de 2009, após dois anos de conversações iniciados em Bali, na Indonésia, em 2007 -- lançou dúvidas sobre o futuro papel da organização.

Grandes emissores, como China, EUA, Rússia ou Índia, poderão preferir simplesmente negociar em grupos menores, como o G20 ou o Fórum das Maiores Economias dos países responsáveis por cerca de 80 por cento das emissões mundiais.

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