O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, se encontrou neste sábado com líderes palestinos no início de uma missão para buscar a retomada das negociações com os israelenses. A primeira parada de Ban foi a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, onde se encontrou com o primeiro-ministro Salam Fayyad.

O secretário irá se encontrar também com o presidente israelense Shimon Peres.

A viagem foi estimulada pelo controverso plano de Israel de construir mais 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental.

A liderança palestina diz que o plano é um obstáculo para a retomada do diálogo, e a decisão israelense foi criticada também pelo Quarteto, o grupo formado pelos Estados Unidos, Rússia, ONU e União Européia.

Israel anunciou na semana passada que deu permissão para a construção de novas residências na área de Ramat Shlomo, ocupada pelo país desde 1067.

Durante a visita de Ban Ki-moon à Cisjordânia, o secretário foi levado a um posto de observação nos arredores de Ramallah de onde pode ver o assentamento judaico de Givat Zeev, que abriga 11 mil israelenses.

"O mundo condenou os planos de expansão de Israel em Jerusalém Oriental", disse Ban.

"Sejamos claros: toda a atividade de assentamento é ilegal em qualquer território ocupado, e deve parar", disse.

"O Quarteto reafirmou isso, essa posição. Eu também estou preocupado com ações em Hebron, Jerusalém e outros lugares", afirmou Ban.

"Eu apelo para que todos os lados respeitem sensibilidades e promovam a calma", disse.

Ban afirmou ainda que seu objetivo é conseguir um acordo de paz entre israelenses e palestinos - incluindo um Estado palestino - em dois anos.

Diplomacia
A última visita do secretário a Israel ocorreu logo depois da operação israelense em Gaza, há 14 meses.

Na época, Ban não escondeu suas críticas ao alto custo humano da operação.

A expectativa é de que ele volte a criticar Israel por causa da recusa em congelar a construção de assentamentos, segundo o correspondente da BBC em Jerusalém, Jonathan Head.

No domingo, o enviado americano, George Mitchell, também visitará a região para tentar estimular as negociações.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, deverá viajar para Washington para se encontrar com a secretária de Estado, Hillary Clinton e possivelmente com o presidente americano Barack Obama.

Falando à BBC, Hillary indicou que o endurecimento do tom adotado pelos Estados Unidos com Israel está funcionando.

"Eu acho que veremos a retomada da negociação, e isso significa que (o tom mais duro) está tendo resultados, porque esse é nosso objetivo."
Ataques israelenses
Os esforços diplomáticos ocorrem quando pelo menos 11 pessoas ficaram feridas em ataques aéreos israelenses contra o aeroporto de Gaza, segundo autoridades palestinas.

O Exército israelense confirmou os ataques com mísseis perto de Rafah, no sul de Gaza e disse que os alvos eram militantes.

Os mísseis lançados por Israel na sexta-feira atingiram o aeroporto internacional palestino, que está desativado, e túneis escavados por militantes perto da fronteira.

Esta foi a segunda noite de ataques israelenses desde que um foguete lançado a partir da Faixa de Gaza matou um trabalhador em uma fazenda em Israel, na quinta-feira.

Ele foi a primeira pessoa morta por um foguete lançado contra o sul de Israel desde a incursão em Gaza.

Um porta-voz militar israelense disse que os ataques foram feitos em resposta a cinco foguetes lançados contra Israel de Gaza nos últimos dois dias.

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