ONU inaugura novo clima de compromisso mundial

Pilar Valero. Nações Unidas, 25 set (EFE).- A Assembleia Geral das Nações Unidas parece ter inaugurado nesta semana em Nova York um novo clima de compromisso mundial que prima pelo multilateralismo nos conflitos internacionais.

EFE |

O 64º período de sessões da Assembleia da ONU, que encerra na segunda-feira, com intervenções do Peru, México, Cuba e Equador, transcorreu em um clima de maior entendimento, bem diferente do ano passado quando no calor da crise econômica nações em desenvolvimento e países ricos não criaram relações tensas.

Nesse ambiente, o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dizendo que "o mundo vive uma nova era de cooperação internacional" soou bem a todos.

Até mesmo o pouco polido presidente venezuelano, Hugo Chávez, "reconheceu que tem química com Obama e que, pela primeira vez, a tribuna da ONU cheirava a esperança".

O palco da ONU também foi propício para que após um ano e meio de ruptura diplomática, os chanceleres do Equador e Colômbia anunciassem ontem à noite um diálogo direto e a intenção de normalizar as relações.

A crise política em Honduras dominou as gestões diplomáticas nos corredores da ONU, já que às vésperas da inauguração da Assembleia Geral surgiu a notícia que o deposto presidente Manuel Zelaya estava refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se para tratar da situação em Honduras, a pedido do Brasil.

O ministro de Exteriores brasileiro, Celso Amorim, detalhou ao Conselho de Segurança a situação em Honduras e pediu um pronunciamento do principal órgão de decisão da ONU para exigir o respeito às normas da Convenção de Viena.

Quem está à frente das negociações, no entanto, é a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em Honduras, uma via de esperança ressurgiu com o anúncio da retomada do diálogo por intermédio do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, prêmio Nobel da Paz em 1987.

O ponto mais discordante do encontro diz respeito ao Irã, que revelou em carta hoje e dirigida à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a existência de uma segunda planta de enriquecimento de urânio, o que pode provocar novas sanções internacionais.

Um dia antes, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse na tribuna da ONU que seu país estava disposto a participar da construção de uma paz e segurança duradouras para o mundo.

Mas, ao mesmo tempo, defendeu o programa nuclear de seu país à revelia das orientações da ONU, da mesma forma que outras nações ocidentais abandonaram o plenário da assembleia quando ele tomou a palavra.

Nos debates, é generalizada a demanda de reformas dos organismos internacionais e de democratização do Conselho de Segurança da ONU, para adaptá-los ao novo conceito geopolítico mundial do século 21.

O líder líbio, Muammar Kadafi, um dos mais críticos, denunciou em sua primeira intervenção na ONU o poder antidemocrático do Conselho de Segurança, e sugeriu a transferência de poderes à Assembleia Geral, em que estão representados todos os membros da organização.

Já as nações em desenvolvimento exigiram uma maior cota de poder nas instituições mundiais e maior auxílio na transferência de tecnologia para enfrentar a mudança climática, tema sobre o qual se tentou a um consenso com vistas ao novo acordo mundial na Cúpula de Copenhague de dezembro próximo.

O Brasil reforçou a sua liderança como país emergente no fórum, tanto em seu protagonismo negociador na crise de Honduras, quanto no papel de ponte entre as nações desenvolvidas e as que estão em vias de desenvolvimento. EFE vai/dm

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