ONU faz apelo por US$ 550 milhões para ajuda urgente ao Haiti

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, lançou, nesta sexta-feira, um apelo internacional para arrecadar US$ 500 milhões em ajuda para o Haiti. A maior parte deste dinheiro seria para necessidades urgentes - o estoque de água e comida é crítico, disse Ban em entrevista coletiva na sede da Organização em Nova York.

BBC Brasil |

Segundo ele, a maioria dos 3 milhões de habitantes da capital haitiana, Porto Príncipe, continuam sem comida, água, abrigo e eletricidade.

"Dado o número de pessoas desabrigadas nas ruas, nós precisamos providenciar abrigo. Nós precisamos de tendas e mais tendas", disse.

O secretário-geral afirmou ainda que o Programa Mundial de Alimentação da ONU já começou a alimentar cerca de 8 mil pessoas diversas vezes por dia.

Segundo ele, um esforço humanitário significativo está ocorrendo no Haiti e a ONU está mobilizando todos os recursos "o mais rápido que podemos". A ONU instalou um centro de operação no aeroporto da capital para coordenar os esforços de busca e resgate de 27 equipes vindas de diversas partes do mundo.

"Eu mesmo viajarei ao Haiti em breve, para demonstrar solidariedade ao povo haitiano como e aos funcionários da ONU e para avaliar a situação pessoalmente", disse Ban.

Devastação
A ONU estima que cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas devido ao terremoto.

Agências ligadas à organização acreditam que 3,5 milhões de pessoas no país estão dependendo de ajuda humanitária para sobreviver.

A organização afirma que uma em cada dez casas da capital, Porto Príncipe, foi destruída pelo terremoto de magnitude 7 na escala Richter.

Uma avaliação feita pela missão da ONU no Haiti, com um helicóptero, descobriu que algumas áreas apresentam até "50% de destruição" e muitos prédios desabaram.

"As primeiras estimativas sugerem que cerca de 10% das casas em Porto Príncipe foram destruídas, o que significa cerca de 300 mil pessoas sem casa", afirmou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários.

Já o Comitê Internacional da Cruz Vermelha sugere que cerca de 70% dos edifícios de Porto Príncipe foram destruídos no terremoto que abalou o Haiti.

Em um comunicado divulgado em Genebra, a organização afirmou que pelo menos 15 áreas da capital haitiana foram muito atingidas pelo sismo e pelos tremores menores, que continuam a afetar a região e aumentam ainda mais a ansiedade no país.

Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta sexta-feira, o envio de 10 mil soldados ao Haiti até segunda-feira.

Obama descreveu a escala da destruicao no país como "impressionante" e a perda de vidas "de partir o coração".

"Os Estados Unidos farão o que for preciso para salvar vidas e ajudar as pessoas a se recuperarem", disse o presidente em um comunicado divulgado pela Casa Branca.

Obama ofereceu todo o apoio do país ao presidente haitiano, René Préval, em uma conversa telefônica nesta sexta-feira.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que os esforços humanitários no Haiti são "a mais alta prioridade do aparato militar americano e todos os recursos estarão disponíveis".

Segurança
Apesar dos esforços da comunidade internacional, autoridades haitianas e agentes humanitários alertaram nesta sexta-feira para a necessidade de aumentar a segurança de equipes de ajuda por medo de saques e ataques, à medida que aumenta a tensão e a raiva entre sobreviventes do terremoto no Haiti.

Em encontro com o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, na quinta-feira no Haiti, o presidente haitiano, René Préval, teria manifestado sua preocupação com uma revolta popular devido à frustração dos sobreviventes.

Três dias após o tremor que devastou a capital, Porto Príncipe, dezenas de milhares de pessoas continuam a vagar pelas ruas à espera de alimentos, tratamento médico e informações sobre familiares.

"Infelizmente eles estão lentamente ficando mais impacientes e com raiva", disse David Wimhurst, porta-voz da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, a Minustah.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG