ONU fala em genocídio de forças ruandesas contra hutus no Congo

De acordo com relatório, ataques sistemáticos tiveram como alvo hutus ruandeses na República Democrática do Congo, antigo Zaire

iG São Paulo |

A ONU divulgou nesta sexta-feira um polêmico relatório sobre as atrocidades cometidas na República Democrática do Congo (RDC) de 1993 a 2003, indicando que os ataques das forças ruandesas contra refugiados hutus "poderão ser classificados como genocídio" se esses atos forem confirmados "por um tribunal competente".

O relatório, já denunciado com virulência por Ruanda e Uganda, citados no documento, revela que "os ataques aparentemente sistemáticos e generalizados (...), que tiveram como alvo um grande número de refugiados hutus ruandeses e causaram mortes, revelaram vários elementos agonizantes que, se forem comprovados, poderão ser classificados como crime de genocídio", indica o documento que traça o inventário das atrocidades cometidas no antigo Zaire.

AFP
Em Genebra, ruandeses protestam contra relatório das Nações Unidas sobre o antigo Zaire, que coloca Ruanda no centro das acusações
"Esses ataques foram registrados em cada localidade de onde refugiados foram desalojados pelo AFDL/APR (Aliança das Forças Democráticas para a Libertação do Congo-Kinshasa/Exército Patriótico Ruandês) em uma vasta extensão do território", prosseguiu a ONU em seu relatório.

Segundo o documento, os hutus estavam refugiados na República Democrática do Congo em razão da chegada ao poder no ano de 1994 em Kigali da rebelião da Frente Patriótica Ruandesa (FPR), que tinha posto fim a um genocídio que deixou cerca de 800 mil mortos, sobretudo à minoria tutsi.

Lista de crimes

Fruto de uma investigação realizada de julho de 2008 a junho de 2009, o relatório de mais de 550 páginas, elabora uma lista de 617 crimes graves que deixaram dezenas de milhares de civis mortos de 1993 a 2003 no antigo Zaire, principalmente durante as duas guerras de 1996-1998 e 1998-2001.

Em Nova York, o embaixador da República Democrática do Congo na ONU pediu "justiça" em nome de seu país, "consternado" pela extensão dos crimes praticados e revelados no relatório da ONU. Já Ruanda rejeitou categoricamente o relatório.

"Espero que, agora que o relatório foi divulgado, ele seja examinado atentamente, em particular as medidas propostas a fim de que os autores dos atos respondam e por justiça à República Democrática do Congo, após a relação de atos espantosos. As milhões de vítimas congolesas de violações cometidas por uma gama extremamente ampla de atores merecem isso", disse nesta sexta-feira a alta comissária dos Direitos Humanos, Navi Pillay.

A comissária considerou ainda que "o relatório fala por si mesmo" e trata-se de uma "investigação judicial, (...) um exercício preliminar", indicou.

*Com AFP

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