O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas adotou nesta quinta-feira uma resolução proposta por Cuba, na qual pede que todos os países tomem as medidas necessárias para garantir o acesso aos alimentos em plena crise causada pela alta dos preços.

Em uma sessão especial dedicada à crise alimentar, a instância formada por 47 países adotou por consenso essa resolução que requer revisar "qualquer política ou medida que possa ter um impacto negativo sobre o cumprimento do direito à alimentação".

Pouco antes, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Louise Arbour, dirigiu-se ao fórum para responsabilizar a convergência de fatores, como as práticas comerciais injustas, as distorções do abastecimento, a demanda e os subsídios, pela atual situação.

Arbour pediu uma reação para evitar que se produza "um efeito dominó" que ponha em risco "direitos fundamentais, inclusive o direito à educação, quando as pessoas se vêm forçadas a prescindir de outras necessidades básicas e serviços para poder se alimentar e alimentar suas famílias".

O preço dos alimentos quase dobrou em três anos, segundo o Banco Mundial.

Os especialistas atribuem o aumento às restrições comerciais, ao clima e ao crescente uso de biocombustíveis elaborados de produtos agrícolas, como o milho. Outra razão é o aumento do preço do petróleo que encareceu o transporte.

A sessão do Conselho também contou com a presença do relato da ONU sobre o direito da alimentação, Oliver de Schutter, que pediu que se ponha fim aos subsídios e aos novos investimentos para favorecer a produção de biocombustíveis.

De Schutter se mostrou contra os objetivos dos Estados Unidos e da Europa de aumentar o uso desses combustíveis.

"Abandonando" esses objetivos, "enviaremos uma mensagem aos mercados de que o preço dos cultivos não aumentará infinitamente, desestimulando" os especuladores, explicou.

wtf/cl/tt

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.