NAÇÕES UNIDAS - A Organização das Nações Unidas divulgou, nesta quarta-feira, sua estimativa do número de pessoas em Mianmar que precisam de ajuda humanitária e, mais uma vez, pediu que o governo do país remova todas as restrições para que a ajuda possa chegar às vítimas do ciclone. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/14/mianmar_cruz_vermelha_aponta_dificuldades_para_estimativas_de_mortos_1311897.htmlCruz Vermelha aponta dificuldades para estimativas de mortos http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/14/onu_exige_mudanca_radical_de_mianmar_para_evitar_segunda_onda_de_mortes_1311611.htmlONU exige mudança radical de Mianmar para evitar 2ª onda de mortes http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/05/14/mianmar_precisa_de_us_243_mi_para_sementes_de_arroz_diz_onu_1311304.htmlMianmar precisa de US$ 243 mi para sementes de arroz, diz ONU

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         Mulher recebe alimentos de organizações de ajuda humanitária

O chefe de assuntos humanitários da ONU, John Holmes, disse a repórteres que há entre 1,6 e 2,5 milhões de pessoas 'severamente afetadas' pelo ciclone Nargis precisando de ajuda urgentemente. A estimativa anterior era de pelo menos 1,5 milhão de pessoas.

O ciclone atingiu o povoado delta de Irrawaddy, um importante produtor de arroz, no começo de maio, deixando pelo menos 100 mil pessoas mortas ou desaparecidas e muitos dos sobreviventes desabrigados ou famintos, de acordo com as Nações Unidas.

Holmes disse que houve pequenos avanços no acesso de agentes humanitários estrangeiros especializados, antes barrados pelas autoridades de Mianmar.

'Vimos um ou dois pequenos sinais de progresso em algumas áreas', disse ele, acrescentando que isso 'de forma alguma é adequado à tarefa'.

As doações escoam muito lentamente, já que os generais de Mianmar resistem aos esforços internacionais de abrir as fronteiras para os grupos e equipamentos estrangeiros.

Perguntado se as Nações Unidas terão de considerar doações aéreas para levar comida e outros artigos para as vítimas do ciclone que ainda não receberam nenhuma ajuda, Holmes disse que essa não é a forma ideal de distribuição -- mas pode se tornar uma opção.

'É algo que pode ser contemplado', disse, ressaltando que, se as barreiras aos estrangeiros não forem suspensas, 'teremos de considerar isso'.

Ele também avisou que epidemias de cólera, malária e sarampo 'podem surgir a qualquer momento'.

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Milhares ficaram desabrigados com ciclone
Estrangeiros barrados

A Junta Militar proibiu o acesso de qualquer estrangeiro à região do delta do rio Irrawady, a mais afetada pela passagem do ciclone Nargis.

A medida é mais uma das restrições impostas pelo governo a prejudicar a chegada de ajuda a quase dois milhões de desabrigados.

"Estrangeiros, não. Câmeras, não", foram as ordens do primeiro-ministro de Mianmar, o tenente-general Thein Sein.

Os controles militares e policiais instalados pelo regime nas regiões de Irrawaddy e Yangun se encarregam de fazer cumprir as diretrizes do governo.

Enquanto segue criando empecilhos para conceder vistos para especialistas de União Européia (UE), Estados Unidos, Austrália e outros países, a Junta Militar convocou 160 pessoas de Bangladesh, China, Índia e Tailândia, nações consideradas amigas, para colaborarem com as tarefas de ajuda humanitária.

Novo ciclone

A ONU advertiu nesta quarta-feira sobre a possibilidade de formação de outro ciclone no norte do mar de Andaman e que poderia entrar pelo sul de Mianmar (antiga Birmânia) nas próximas 24 horas.

O Centro Conjunto de Alerta de Ciclones, que pertence à ONU, disse que "a formação de um grande ciclone tropical é possível".

"Os ventos na área podem chegar a 46 km/h e 56 km/h", precisou o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones.

passada chuvas no sul de Mianmar, região devastada pelo ciclone "Nargis", a partir de hoje e que durariam aproximadamente três dias.

Embora os ventos ainda não cheguem a formar um furacão - categoria que se caracteriza quando os ventos alcançam 120 km/h -, o sul de Mianmar terá fortes chuvas nos próximos três dias, como a Organização Meteorológica Mundial tinha previsto na semana passada.

A porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU Amanda Pitt disse, em entrevista coletiva em Bangcoc, que um novo ciclone prejudicaria todas as operações em andamento e poria em risco os desabrigados.


Mianmar está localizada no sudeste asiático

"Isso terá impacto na capacidade das pessoas de sobreviver. Já estão debilitadas. É um grande problema", afirma Pitt.

Destruição

As autoridades locais afirmam que a passagem do ciclone já deixou 38.491 mortos e 27.838 desaparecidos. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que as vítimas fatais podem chegar a 100 mil, e que mais de 200 mil pessoas estão desaparecidas.

A situação no sul do país, onde os organismos humanitários só conseguiram ter acesso a 300 mil desabrigados em 12 dias, pode se agravar nas próximas 24 horas com a aparição de outro ciclone na região, como advertiu hoje o Centro Conjunto de Alerta de Ciclones, ligado à ONU.

Segunda a Ocha, os quase dois milhões de desabrigados precisam de alimentos, roupas, água potável, remédios e condições sanitárias adequadas.

A ONG Oxfam International calcula que o número de mortos pode aumentar em até 15 vezes nas próximas semanas, caso os afetados não recebam água potável e remédios.

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, viajou hoje a Yangun para se reunir com membros da Junta Militar e tentar convencê-los a permitir uma maior entrada de ajuda estrangeira no país.

Sundaravej também levou centenas de telefones via satélite encomendados pelos birmaneses.

A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) realizará em 19 de maio, em Cingapura, uma reunião ministerial especial para tratar do problema de Mianmar, país que faz parte do bloco regional e que, em 2005, se comprometeu a colaborar com as tarefas de resposta aos desastres naturais.

Além de Mianmar, a Asean é integrada por Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã. Hoje, a junta autorizou a entrada de especialistas do bloco para ajudar as vítimas.

Entenda mais:

                  Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones


(Com informações das agências Reuters, AFP e EFE)

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