ONU espera para enviar ajuda e equipes técnicas a Mianmar

Nações Unidas, 6 mai (EFE) - A ONU espera para poder fazer chegar a Mianmar (antiga Birmânia) a ajuda humanitária e as equipes de técnicos que enviou à região para auxiliar os afetados pela passagem do ciclone Nargis pelo sul do país asiático.

EFE |

O diretor em Nova York do Escritório de Ajuda Humanitária da ONU (OCHA), Rashid Khalikov, disse em entrevista que uma equipe de especialistas em avaliação de danos está em Bangcoc aguardando vistos e que há carregamentos acumulados na capital tailandesa para serem enviados para Mianmar.

"A ajuda humanitária está pronta para que ser enviada", afirmou Khalikov, que não especificou se alguma carga das Nações Unidas já cruzou a fronteira birmanesa.

Ele afirmou que o organismo pediu ao regime militar que governa o país que flexibilize os trâmites burocráticos que poderiam atrasar a chegada da ajuda internacional.

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou hoje uma carta ao chefe da Junta Militar de Mianmar, o general Than Shwe, na qual lhe pede a máxima colaboração com as organizações internacionais que desejam ajudar a população afetada.

Khalikov destacou que o Governo birmanês declarou sua intenção de aceitar ajuda externa, mas não quis especificar se a cooperação das autoridades foi a adequada até agora.

"É preciso entender que o Governo não tem experiência em tramitar grandes operações de ajuda internacional", apontou.

O representante da ONU admitiu que os quatro dias que se passaram desde a passagem do ciclone, que deixou 22 mil mortos e 41 mil desaparecidos, "é muito tempo" para ainda não ter começado a distribuição em grande escala de ajuda.

Nesse sentido, afirmou que a péssima comunicação com Yangun dificultou que se tivesse uma idéia exata das necessidades e do número de afetados, que as autoridades birmanesas calculam em um milhão.

"A região do sul de Mianmar afetada tem 24 milhões de habitantes, mas não sabemos quantos deles precisam de assistência imediata", ressaltou.

Entre os pedidos de materiais enviados à missão da ONU em Yangun estão lonas de plástico, comprimidos purificadores de água, mosquiteiros e alimentos, precisou.

O OCHA espera ter uma melhor idéia da situação quando sua equipe de cinco especialistas puder viajar ao país, mas, por enquanto, os técnicos estão retidos em Bangcoc junto a outro pessoal da ONU à espera de vistos.

Khalikov disse que a embaixada birmanesa na capital tailandesa afirma que não recebeu instruções de seu Governo e lembrou que as autoridades paquistanesas eliminaram a obrigatoriedade de visto após o terremoto que atingiu parte do país em 2005.

"Esperemos que o Governo entenda como funcionam estes tipos de atuações de emergências e facilite os trâmites", insistiu.

O OCHA aguarda mais informações para liberar fundos de sua reserva de emergências e completar um pedido de ajuda financeira de urgência à comunidade internacional, o qual desejam divulgar na sexta-feira, acrescentou. EFE jju/db

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