Forças de paz presenciaram nesta terça-feira novos combates no leste da República Democrática do Congo, após dias de relativa calma no país, de acordo com informações da ONU. Segundo um porta-voz da organização na cidade de Goma, novos confrontos entre forças rebeldes e duas milícias pró-governo foram registrados.

Os novos combates ocorreram ao norte de Rutshuru, cerca de 80 quilômetros ao norte de Goma. Um comboio da ONU que carregava suprimentos médicos havia chegado à região na segunda-feira.

"Nossa base ficou na linha de fogo entre as forças do CNDP (o Congresso Nacional para a Defesa do Povo, do general Nkunda) e as forças Mai-Mai no norte", disse Sylvie van den Wildenberg, porta-voz da ONU.

O correspondente da BBC na cidade, Peter Greste, diz que alguns suprimentos de água fresca e biscoitos energéticos chegaram aos refugiados, mas enfatiza que isso é insignificante diante da gravidade da situação.

Na semana passada, o líder rebelde, general Laurent Nkunda, havia declarado um cessar-fogo, quando suas forças se aproximavam de Goma.

Greste afirma que os confrontos preocupam, mas não significam que o cessar-fogo tenha necessariamente acabado.

Rebeldes
O general Nkunda ameaça derrubar o governo da República Democrática do Congo em Kinshasa, 1.580 quilômetros a oeste de Goma, a menos que o presidente Joseph Kabila concorde com negociações diretas.

O correspondente da BBC diz, no entanto, que o general pode estar confiante demais, uma vez que é difícil imaginar como Nkunda transportaria entre 6 e 7 mil homens para o outro lado de um país de grandes proporções. Mas Greste acrescenta que as forças rebeldes parecem capazes de tomar Goma.

Goma está cercada por forças rebeldes que afastaram tropas do governo da região. Cerca de 250 mil pessoas abandonaram suas casas, e agências de ajuda humanitária têm encontrado dificuldades em oferecer assistência.

Alguns fugiram do interior do país para Goma e outros, que haviam fugido, retornaram para as regiões de onde saíram, mas não há alimentos ou abrigos suficientes na cidade.

Mais cedo, o governo francês pediu que a força de paz de 17 mil homens da ONU seja aumentada.

Em visita a Goma, o chefe das missões de paz, Alain Le Roy, disse que o mandato da ONU no momento é "proteger civis e ajudar o Exército a desarmar as forças rebeldes".

"Não temos um mandato para defender cidades", disse Le Roy à BBC.

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