ONU elabora plano de batalha para enfrentar crise alimentar

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e os dirigentes das 27 agências e organizações das Nações Unidas se reuniram nesta segunda-feira em Berna para elaborar seu plano de batalha para enfrentar a crise provocada pela escalada dos preços dos produtos alimentícios.

AFP |

"É um momento preocupante para as Nações Unidas, mas também um momento no qual somos obrigados a fazer o melhor para corresponder às responsabilidades que o mundo nos atribuiu", declarou Ban antes da reunião realizada a portas fechadas.

A ONU e suas agências devem enfrentar o desafio de ajudar os povos que têm fome em um período de escassez de alimentos, explorando soluções de longo prazo. Para isso, será preciso arbitrar os conflitos entre os defensores do protecionismo e da abertura dos mercados, ou ainda entre os partidários dos biocombustíveis e seus críticos.

Após uma manhã de reuniões na sede da União Postal Universal (UPU), os dirigentes da ONU devem manter seus encontros a portas fechadas em um hotel do centro da capital suíça.

Os primeiros resultados desta reunião serão divulgados nesta terça-feira durante uma entrevista coletiva à imprensa do secretário-geral da ONU às 9h00 locais (4h00 de Brasília).

O chefe da ONU terá ao seu lado a diretora executiva do Programa Alimentar Mundial (PAM) Josette Sheeran, o presidente do Banco Mundial Robert Zoellick, o diretor da Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO) Jacques Diouf e o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (Fida) Lennart Bäge.

O relator da ONU para o Direito à Alimentação Jean Ziegler classificou nesta segunda-feira em Genebra a reunião de "dia essencial para as pessoas que têm fome no mundo".

Ziegler, cujo mandato de relator chega ao fim na quarta-feira, renovou durante uma coletiva de imprensa seus apelos por uma "moratória total" aos biocombustíveis, uma das causas, segundo ele, da escalada dos preços agrícolas.

Ele também condenou os esforços da Organização Mundial do Comércio (OMC) para concluir o ciclo de negociações de Doha. "A linha de (Pascal) Lamy (diretor geral da OMC) é totalmente contrária aos interesses dos povos mártires da fome", afirmou Ziegler.

Para a OMC, pelo contrário, "os subsídios agrícolas dos países ricos destruíram a agricultura dos países pobres e um sistema mais aberto terá menos distorsões".

Ziegler também denunciou a especulação, responsável segundo ele por 30% do aumento dos preços dos produtos alimentícios e criticou duramente "a política aberrante do FMI". Ele pediu aos governos que o apóiem para "dar a prioridade absoluta às plantações de subsistência".

Consultados sobre as medidas protecionistas tomadas por vários países em desenvolvimento, principalmente sobre o arroz, Ziegler reconheceu que esta atitude alimenta a especulação. Visivelmente constrangido, afirmou que "compreende a atitude destes países que pensam em assegurar seu próprio abastecimento".

A organização humanitária britânica Oxfam pediu nesta segunda-feira à ONU que, além da resposta de urgência, se ataque os problemas estruturais com regras comerciais mais eqüitativas e investimentos no setor agrícola dos países em desenvolvimento.

A ONG, que pede também o fim da produção de biocombustíveis, denunciou "as décadas de subsídios dos países ricos (que) aumentaram a dependência dos países pobres e sua vulnerabilidade".

"As restrições às exportações talvez não sejam a resposta ideal, mas sem uma política de auxílio coordenado, elas estão entre as únicas opções dos países pobres", disse a diretora adjunta da Oxfam, Céline Charveriat.

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