ONU e Washington formalizam papel das tropas americanas no Haiti

Nações Unidas, 22 jan (EFE).- A ONU e os Estados Unidos assinaram hoje um acordo que formaliza o papel desempenhado pelos cerca de 12 mil militares americanos destacados no Haiti para ajudar as vítimas do terremoto do último dia 12.

EFE |

O documento foi assinado hoje em Porto Príncipe pelo chefe interino da Missão de Estabilização da ONU para o Haiti (Minustah), o guatemalteco Edmond Mulet, e o embaixador americano no país caribenho, Kenneth Merten.

Segundo o acordo, a missão das Nações Unidas é ajudar as autoridades haitianas a manter a ordem, a estabilidade e o Estado de direito. Cabe ao Governo do presidente René Préval liderar os esforços para ajudar os desabrigados, manter a segurança e iniciar o processo de recuperação.

Ao mesmo tempo, o documento explica que os militares americanos no Haiti obedecerão ao comando de seu país, mas assumem o compromisso de apoiar as prioridades em matéria humanitária e logística estabelecidas pelas Nações Unidas.

Por sua vez, o embaixador adjunto dos EUA na ONU, Alejandro Wolff, rejeitou as acusações feitas por Bolívia, Nicarágua e Venezuela de que Washington aproveitou a catástrofe para ocupar militarmente o Haiti.

"Esses três países que falam ridiculamente e sem fundamento de conspirações e ocupações deveriam respeitar a posição soberana do Haiti, com a qual supostamente estão tão preocupados", comentou Wolff em reunião da Assembleia Geral do organismo para analisar a situação no país caribenho.

Washington mobilizou uma tropa que chegará a 20 mil homens no domingo para participar da operação de ajuda.

A chefe de diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, se reuniu hoje com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para conversar sobre a necessidade de melhorar a coordenação da assistência humanitária internacional no país.

"Falamos também sobre o que deve ser feito em médio e longo prazo para respaldar o desenvolvimento e a recuperação do Haiti", disse Ashton, lembrando que a ajuda da UE ao Haiti chegou a US$ 500 milhões, seja em dinheiro já entregue ou comprometido.

O terremoto que atingiu o Haiti ocorreu às 19h53 de Brasília do dia 12 de janeiro e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe.

Em declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, disse que o número de mortos superará 100 mil.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE.

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