ONU e UE pedem que ajuda ao desenvolvimento seja mantida apesar da crise

A ONU e a União Européia (UE) pediram neste sábado em Doha, na abertura de uma conferência sobre o financiamento do desenvolvimento, que a crise econômica atual não oculte a necessidade de ajudar os países mais pobres, mas poucos resultados são esperados, na ausência da maioria dos principais dirigentes mundiais.

AFP |

Somente o presidente francês, Nicolas Sarkozy, viajou a Doha, onde garantiu que a ajuda da UE aos países pobres, sobretudo na África, não será "sacrificada".

Como presidente em exercício da UE, Sarkozy afirmou que os 27 países membros da União, que liberou em 2007 uma verba de 61 bilhões de dólares para a ajuda ao desenvolvimento (60% da ajuda mundial), cumprirá com sua promessa de dedicar até 2015 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) à ajuda aos países pobres.

A delegação francesa fez várias sugestões, como taxas sobre as passagens aéreas e sobre as emissões de gás carbônico, para financiar a ajuda aos países do sul.

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "a crise financeira não é a única que temos de enfrentar". "Também estamos diante de uma crise do desenvolvimento, e de uma aceleração do fenômeno de aquecimento global", alertou o sul-coreano em declarações à imprensa.

"Estas ameaças são inextricavelmente ligadas, e têm que ser tratadas como um único problema. Por isso, é preciso promover um plano de recuperação mundial, que possa atender às necessidades das economias emergentes e dos países pobres", acrescentou.

Ban Ki-moon expressou a esperança de que a conferência de Doha, que deve durar quatro dias, permita a aprovação de medidas concretas sobre a execução das Metas do Milênio.

Adotadas em 2000, estas metas consistem em reduzir pela metade a extrema pobreza daqui a 2015, e conter a propagação das grandes pandemias, da mortalidade infantil e do analfabetismo. Como sugerem muitos relatórios, estas metas provavelmente não serão atingidas na África.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, avisou que o desafio do aquecimento global é "crucial para os países em desenvolvimento".

"É mais urgente do que nunca que os doadores cumpram com suas promessas de ajuda", afirmou, lembrando que 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo sobrevivem com menos de 1,25 dólar por dia.

Segundo ele, a UE acaba de adotar um programa de ajuda alimentar de um bilhão de euros, levando a 1,8 bilhão de euros sua contribuição para os países pobres.

As organizações humanitárias ressaltaram a necessidade de respeitar os compromissos assumidos e aumentar o volume da ajuda.

As organizações Christian Aid e Action Aid expressaram o temor de que "a crise financeira atual seja utilizada pelos países ricos como um pretexto para não cumprir com suas promessas".

O emir do Qatar, xeque Hamad Ben Khalifa al-Thani, afirmou por sua vez que as pessoas esperam demais dos países produtores de petróleo.

"Às vezes, temos a impressão de que as pessoas querem colocar todo o peso da ajuda ao desenvolvimento nas costas dos países petroleiros", lamentou.

anw/yw

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