ONU e opositores apertam o cerco contra líder da Costa do Marfim

Forças leais a Ouattara dizem ter cercado residência presidencial, onde Gbagbo estaria escondido em um bunker

BBC Brasil |

Com a ajuda de ataques aéreos de forças da ONU e da França, a oposição apertou o cerco contra o presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, que se recusa a reconhecer a derrota eleitoral para Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o líder legítimo do país. Em pronunciamento, o presidente norte-americano, Barack Obama disse que Gbagbo deve entregar o poder imediatamente e pedir que a luta pare para evitar mais mortes.

Forças leais a Ouattara afirmaram nesta terça-feira ter controlado a residência presidencial em Abidjan. Segundo Alain Lobognon, porta-voz do primeiro-ministro Guillaume Soro, que apoia a oposição, Gbago estaria em um bunker. A informação não foi confirmada de forma independente.

Um porta-voz de Gbagbo, porém, confirmou que o palácio residencial foi alvo de pelo menos 50 ataques de helicópteros da ONU, que também destruíram um enorme campo de armamentos militares na segunda-feira. Sobre o paradeiro de Gbagbo, o porta-voz disse apenas que ele ainda está em Abidjan.

AFP
Explosão é vista após ataque da ONU em campo de armamentos em Abidjan (04/04)

Também nesta terça-feira, o embaixador da Costa do Marfim na França, Ally Coulibaly, que foi nomeado por Ouattara, disse que Gbagbo está negociando sua "rendição". Coulibaly disse acreditar que Ggagbo "está com vida", mas disse que Abidjan se tornou "uma feira de rumores, e não quero contribuir para a desinformação".

Já o ministro do Exterior do governo da Costa do Marfim não-reconhecido pela ONU, Alcide Djedje, disse ter chegado a um acordo de cessar-fogo após dias de confronto no país e afirmoi que "a guerra acabou". Djedje, que está na Embaixada francesa em Abdijan, representa Laurent Gbagbo.

A informação sobre o cessar-fogo ainda não foi confirmada por partidários de Ouattara e ainda não se sabe se Gbagbo teria concordado em deixar o poder. Um porta-voz de Gbagbo, Ahoua Don Mello, disse estar esperando por uma delegação da União Africana para que sejam realizadas negociações entre os dois lados.

A crise na Costa do Marfim começou em novembro, quando o resultado das eleições - aprovado pela ONU - indicou a vitória de Ouattara. O governo, então, anulou o conteúdo de urnas no norte do país, afirmando que houve fraude, e declarou Gbagbo vencedor.

Desde então o país vem sendo palco de disputas intensas entre forças leais aos dois lados, e na semana passada forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes causadas pela onda de violência. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, pelo menos 800 pessoas teriam sido mortas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os ataques têm como objetivo proteger civis e não eram uma declaração de guerra a Gbagbo. O comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, disse que a decisão foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza esse tipo de ação.

Segundo ele, a intensidade do uso de armamentos pelas forças de Gbagbo e os calibres das armas vinham aumentando fortemente nos últimos dias. A missão da ONU no país também teria sido alvo de ataques contínuos, segundo ele.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Com BBC e AP

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