Nações Unidas, 5 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e uma delegação da Liga Árabe intensificaram hoje as pressões sobre o Conselho de Segurança das Nações Unidas para que intervenha e coloque fim à ofensiva israelense em Gaza.

Ban presidiu uma reunião na sede da ONU com o líder da Liga Árabe, Amre Moussa, na qual coordenaram os esforços para impulsionar uma nova resolução no principal órgão das Nações Unidas em favor de um cessar-fogo.

O secretário-geral, que fez um discurso antes que a reunião fosse fechada à imprensa, insistiu em que o Conselho de Segurança deve "cumprir suas responsabilidades de acordo com a Carta das Nações Unidas e colocar fim a esta crise".

"Devemos insistir em que Israel acabe com seu ataque militar, que foi excessivo, e devemos insistir em que o Hamas pare os lançamentos de foguetes, que são tão contraproducentes quanto inaceitáveis", assegurou Ban.

A reunião com o secretário-geral das Nações Unidas faz parte dos esforços diplomáticos da Liga Árabe para conseguir que o Conselho de Segurança da ONU interceda decisivamente para deter a intervenção israelense em Gaza.

Com esse objetivo, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, deve apresentar pessoalmente na terça-feira no principal órgão da ONU um novo projeto de resolução no qual pede um cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e o desdobramento de observadores internacionais.

A dúvida é se os Estados Unidos cederão às pressões e apoiarão um texto desta natureza, depois que, no sábado, o país impediu a adoção no Conselho de uma declaração presidencial que pedia o fim da violência.

Ban, que na terça-feira visitará a Casa Branca para se reunir pela última vez com o presidente George W. Bush, antes que este deixe o cargo, afirmou que ressaltará ao líder a necessidade de alcançar o fim imediato das hostilidades e a distribuição em massa de ajuda humanitária à população civil.

Os EUA consideram que os textos que até agora foram propostos ao Conselho são "desequilibrados", pois se centram na operação militar israelense e reduzem a importância das ações do movimento islâmico Hamas.

O embaixador americano perante a ONU, Zalmay Khalilzad, insistiu hoje em que seu país procura que a ação do Conselho de Segurança vá além de simplesmente conseguir um cessar-fogo temporário.

"O que desejamos é uma solução a longo prazo, não um acordo que acabe se desbaratando", ressaltou.

Khalilzad foi um dos embaixadores do Conselho de Segurança com os quais a delegação da Liga Árabe também se reuniu hoje para discutir o projeto de resolução de Abbas.

Moussa destacou, antes desses contatos, que o objetivo primordial da proposta é pôr fim imediatamente ao sofrimento da população civil de Gaza presa no conflito.

"Não podemos perder mais tempo enquanto estiver sendo derramado sangue, por isso precisamos alcançar um acordo o mais rápido possível", advertiu o secretário-geral da Liga Árabe.

Ele ressaltou que os países árabes também não estão dispostos a desprezar a responsabilidade que Israel tem pelo sofrimento que as ações bélicas do país causaram na população palestina.

"Nós, no lado árabe, pensamos que o que ocorreu em Gaza foi, pura e simplesmente, uma agressão contra a população civil, que não tem nada a ver com o Hamas", afirmou.

Israel, por enquanto, se nega a deter a ofensiva até que consiga desarticular a infra-estrutura militar do movimento islâmico, e rejeitou a possibilidade do envio de observadores internacionais a Gaza.

A porta-voz da ONU, Michèle Montas, destacou hoje que o Governo israelense, por enquanto, ignorou o pedido de um cessar-fogo que Ban fez pessoalmente.

"Não houve uma resposta por parte dos israelenses quanto a pôr fim ao conflito, apesar da insistência do secretário-geral", disse.

A intensificação da atividade diplomática em Nações Unidas ocorre lado a lado com o agravamento da situação humanitária em Gaza.

Responsáveis de assuntos humanitários da ONU disseram hoje que aumentou a escassez de alimentos devido às dificuldades existentes para fazer chegar ajuda alimentícia ao território palestino, que segue sendo submetido a um rígido bloqueio.

Os serviços médicos, sobrecarregados pelo número de baixas, estão a ponto de entrar em colapso pela falta de remédios e de instrumentos, acrescentaram. EFE jju/db

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