ONU e França dizem que Gbagbo negocia 'rendição'

Forças leais a Ouattara dizem ter cercado residência presidencial, onde líder da Costa do Marfim estaria escondido em um bunker

iG São Paulo |

Autoridades da França e da Organização das Nações Unidas afirmaram nesta terça-feira que o presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, negocia sua 'rendição', após meses recusando-se a aceitar a derrota eleitoral para Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o líder legítimo do país.

Segundo a ONU, três generais leais a Gbagbo negociam os termos de sua rendição, em troca de garantias de segurança. O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, confirmou que as negociações estão acontecendo. "Estamos muito próximos de convencê-lo a deixar o poder", afirmou, em Paris.

AFP
Soldados leais a Ouattara são vistos em Abidjan

Com a ajuda de ataques aéreos de forças da ONU e da França, a oposição apertou o cerco contra o Gbagbo. Forças leais a Ouattara afirmaram nesta terça-feira ter controlado a residência presidencial em Abidjan. Segundo Alain Lobognon, porta-voz do primeiro-ministro Guillaume Soro, que apoia a oposição, Gbago estaria em um bunker. A informação não foi confirmada de forma independente.

Um porta-voz de Gbagbo, porém, confirmou que o palácio residencial foi alvo de pelo menos 50 ataques de helicópteros da ONU, que também destruíram um enorme campo de armamentos militares na segunda-feira. Sobre o paradeiro de Gbagbo, o porta-voz disse apenas que ele ainda está em Abidjan. Segundo ele, as partes estão negociando também condições jurídicas e de segurança para Gbagbo e seus familiares.

Forças pró-Ouattara declararam vitória em Abidjan. “Vencemos a batalha”, disse Cisse Sindou, vice-comandante das forças de Ouattara, à BBC.

O presidente americano, Barack Obama, voltou a condenar a resistência de Gbagbo. Em comunicado Obama expressou “profunda preocupação” com a situação na Costa do Marfim e pediu que Gbagbo deixe o poder imediatamente.

A crise na Costa do Marfim começou em novembro, quando o resultado das eleições - aprovado pela ONU - indicou a vitória de Ouattara. O governo, então, anulou o conteúdo de urnas no norte do país, afirmando que houve fraude, e declarou Gbagbo vencedor.

Desde então o país vem sendo palco de disputas intensas entre forças leais aos dois lados, e na semana passada forças leais a Ouattara lançaram uma ofensiva militar para tentar retirar Gbagbo do poder.

Simpatizantes de Ouattara e de Gbagbo se acusam mutuamente pelas mortes causadas pela onda de violência. Segundo o Comitê da Cruz Vermelha Internacional, ao menos 800 pessoas teriam sido mortas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os ataques têm como objetivo proteger civis e não eram uma declaração de guerra a Gbagbo. O comandante das forças de paz da ONU no país, Alain Le Roy, disse que a decisão foi tomada com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza esse tipo de ação.

Segundo ele, a intensidade do uso de armamentos pelas forças de Gbagbo e os calibres das armas vinham aumentando fortemente nos últimos dias. A missão da ONU no país também teria sido alvo de ataques contínuos, segundo ele.

A ONU anunciou ainda que enviará à Costa do Marfim um representante para investigar um massacre de centenas de civis na cidade de Duekoue, no oeste do país, na semana passada.

Com BBC e AP

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