Daniela Brik Jerusalém, 21 mar (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, continuaram hoje empreendendo esforços para retomar as negociações de paz na região, apesar de um novo desafio israelense e de mais vítimas palestinas no conflito.

Ban se reuniu nesta tarde com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quem afirmou que as negociações indiretas entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) poderão levar a uma negociação direta.

"Acho que minha visita acontece em um momento importante e crucial quando os israelenses estão prestes a iniciar conversas de proximidade com a ANP, que achamos que conduzirão eventualmente a negociações diretas", disse Ban antes de se reunir com Netanyahu.

A reunião ocorreu em Jerusalém depois de Ban visitar a Faixa de Gaza, onde considerou que o bloqueio ao local realizado por Israel há mais de três anos é "insustentável e errôneo".

Ban, que ontem visitou a cidade cisjordaniana de Ramala, comprovou hoje na Faixa de Gaza a precária realidade em que vivem muitos habitantes um ano após o fim da ofensiva militar israelense, que deixou mais de 1,4 mil mortos e inúmeras destruições.

Também na Faixa de Gaza, Ban pediu que seja efetuada uma troca de prisioneiros entre as duas partes. A ideia é que tanto presos palestinos como o soldado israelense Gilad Shalit - capturado em 2006 por três milícias palestinas, entre elas a do Hamas -, possam ser libertados.

Em sua segunda visita a Gaza após a de janeiro de 2009, o secretário-geral da ONU novamente não se reuniu com representantes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007. Ainda assim, o grupo islâmico mobilizou centenas de milicianos para garantir a segurança de Ban.

Aos esforços do secretário-geral e aos da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que também visitou esta semana a região, somaram-se hoje os do enviado da Casa Branca, George Mitchell.

Mitchell convidou Netanyahu para que se reúna na terça-feira com o presidente americano, Barack Obama, em Washington. O convite foi feito mesmo após a polêmica suscitada pelo anúncio de Israel de construir 1,6 mil novas casas em Jerusalém Oriental durante a visita à região do vice-presidente americano, Joe Biden, na semana passada.

A reunião poderia ser uma boa ocasião para amenizar os atritos surgidos entre EUA e Israel por causa da construção de mais casas para israelenses no território ocupado palestino. Ainda assim, horas antes de partir esta noite rumo à capital americana, Netanyahu reiterou que Israel levará adiante os planos de construção.

Netanyahu disse perante seu Conselho de Ministros que "construir em Jerusalém é para nós o mesmo que fazê-lo em Tel Aviv. Temos que deixar isso claro aos americanos".

Após fazer o convite a Netanyahu, Mitchell deve deixar Jerusalém esta noite para se reunir amanhã com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, mas ainda não se sabe o local do encontro.

Enquanto isso, a violência na região continuou ao longo do dia.

Dois jovens palestinos morreram de manhã por tiros de soldados israelenses em Nablus, na Cisjordânia, o que eleva para quatro o número de palestinos mortos nessas circunstâncias nas últimas 24 horas.

O Exército israelense assegurou que seus soldados atiraram depois que os palestinos tentaram atacá-los nas imediações de um posto de controle militar.

A região vive há semanas uma onda de distúrbios na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Enquanto isso, na Faixa de Gaza, continuam sendo lançados mísseis contra solo israelense, como o que matou um tailandês na quinta-feira.

Diante dessa situação, todos os olhares estão postos na reunião de terça-feira em Washington entre Obama e Netanyahu, com a esperança de conseguir o fim da violência e a retomada do processo de paz na região. EFE db/sa

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