ONU e Bill Clinton advertem para futuro incerto do Haiti

Joaquim Utset. Porto Príncipe, 9 mar (EFE).- Os progressos obtidos no Haiti para sua estabilização podem ser desperdiçados caso a castigada economia do país não se desenvolva, advertiram hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

EFE |

"Estamos aqui com o presidente Clinton para demonstrar nossa solidariedade com o Haiti", assegurou Ban durante uma visita à sede da organização HELP, no bairro de Turgeau, que oferece bolsas de estudo universitárias a estudantes sem recursos.

Ban e Clinton iniciaram desta maneira uma visita de dois dias à nação caribenha para mostrar seu apoio ao plano econômico do presidente haitiano, René Préval, com o qual tenta gerar empregos, proporcionar segurança alimentar, reflorestar o país e fornecer serviços básicos, como educação e saúde.

O secretário-geral da ONU indicou que, com a ajuda do ex-presidente americano, enviava a "mensagem à comunidade internacional de que se deve ajudar o Haiti a superar a situação em que se encontra".

Ressaltou ainda que a Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah) - que o organismo enviou em 2004 após a sangrenta derrocada do presidente Jean Bertrand Aristide - tinha conseguido devolver a calma ao país.

No entanto, advertiu que a presença dos "capacetes azuis" na nação não é "infinita".

"O Haiti tem de aproveitar a oportunidade que tem", apontou.

Clinton ressaltou que ONU e Estados Unidos desejam respaldar os esforços das autoridades e do povo haitiano de encontrar o caminho rumo ao desenvolvimento que o país busca há décadas.

"Queremos que digam ao povo americano e às Nações Unidas como podemos lhes ajudar", assinalou o ex-governante, que estava acompanhado de um grupo de empresários vinculados a diversas iniciativas humanitárias no país.

Em uma demonstração do caldeirão em que se tornou o Haiti, mais de mil simpatizantes de Aristide se reuniram às portas do aeroporto internacional de Porto Príncipe para pedir o retorno do ex-governante.

Ban e Clinton não puderam ver os protestos, porque a forte escolta que os acompanha deixou o aeroporto através de uma base da Minustah nas cercanias.

Do aeroporto, foram a um centro educativo no bairro de Cité Soliel, onde visitaram as salas de aula e um refeitório infantil financiado pelo Banco Mundial (BM) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

O secretário-geral da ONU e o ex-chefe de Estado americano também devem se reunir ainda com Préval no palácio presidencial.

A ONU espera que a presença de Ban e Clinton seja encarada como "uma forte mensagem de esperança no sentido de que o Haiti ainda pode vencer".

Além disso, deverá servir de estímulo para que a comunidade internacional participe da conferência de doadores ao Haiti, que acontecerá nos dias 13 e 14 de abril, em Washington.

As autoridades haitianas e da ONU temem que, após um período de vários anos de relativa calma amparada pela Minustah, a instabilidade política volte ao país.

O aumento do preço dos alimentos provocou em abril de 2008 a explosão de manifestações violentas que deixaram seis mortos e forçaram a queda do então primeiro-ministro, Jacques Edouard Alexis.

Além disso, o país tenta se recuperar dos enormes danos causados pelos quatro ciclones e tempestades que passaram por seu território entre agosto e setembro de 2008, deixando mais de 900 mortos, 800 mil desabrigados e a pouca infraestrutura civil do país destruída.

O centro de estudos International Crisis Group (ICG), dos EUA, advertiu na semana passada em um relatório que as crises de 2008 aumentaram a possibilidade de conflitos graves no Haiti este ano.

"Préval e a primeira-ministra Michèle Pierre-Louis, que assumiu o cargo em setembro de 2008, devem obter em breve o respaldo dos doadores e do Parlamento para um plano estratégico, ou correm o risco de mais instabilidade política e violência", assegurou. EFE jju/mh

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