Nações Unidas, 19 mai (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou hoje que a ONU co-presidirá com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) a conferência internacional de doadores em favor dos desabrigados pelo ciclone Nargis em Mianmar (antiga Birmânia), que será realizada no dia 25 em Yangun.

"A conferência se centrará nas necessidades dos afetados pelo ciclone 'Nargis' e buscará assistência financeira para dar uma resposta humanitária internacional às urgências atuais", disse Ban Ki-moon em declaração escrita hoje.

O secretário-geral da ONU, que deve chegar na quarta-feira a Mianmar, apelou à comunidade internacional para "aproveitar a situação e traduzir sua simpatia e solidariedade com os birmaneses em compromissos concretos que os ajudem a sair da tragédia e reconstruir suas vidas".

Segundo a ONU, a passagem do "Nargis" por Mianmar no início do mês deixou mais de 100 mil mortos e 2,5 milhões de desabrigados, mas as autoridades birmanesas só reconhecem 78 mil mortos e 56 mil desaparecidos.

A resposta à tragédia da Junta Militar, que governa Mianmar há mais de quatro décadas, causou várias críticas da comunidade internacional.

Entre os que criticaram a Junta Militar, incluem-se Ban Ki-moon e o enviado especial da ONU ao país, John Holmes, que está hoje em Mianmar para tentar avaliar a situação e se reunir com membros do Governo.

A ONU pressiona os militares de Mianmar para conseguir que a ajuda internacional, que os desabrigados pelo "Nargis" necessitam para superar a catástrofe, entre em massa no país.

Ban Ki-moon chegará nesta quarta-feira a Mianmar para tentar acelerar a ajuda internacional e visitar as áreas mais afetadas pelo ciclone, especialmente a do delta do rio Irrawaddy, no sul do país, assim como Yangun.

O secretário-geral também se reunirá com representantes do Governo de Mianmar, destacou ontem a porta-voz de Ban Ki-moon, Michele Montantes, que não disse com quem ele se encontrará.

Nestas duas semanas após a passagem do ciclone, Ban Ki-moon tentou conversar duas vezes, sem sucesso, por telefone com o primeiro-ministro birmanês, general Than Shwe, que também não respondeu às cartas enviadas pela ONU.

França, Reino Unido e Estados Unidos criticaram duramente a gestão da ajuda pelo Governo birmanês, que concede a conta-gotas os vistos de entrada a colaboradores internacionais e suspeita-se que poderia haver uma má ou pouca distribuição da assistência internacional.

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, a França e o Reino Unido - dois de seus membros permanentes - chamaram de "inaceitável" o comportamento da Junta Militar, a quem consideram responsável de negar ajuda a pessoas em necessidade.

O embaixador da França na ONU, Jean-Maurice Ripert, disse na sexta-feira que a situação é "totalmente inaceitável" e deixou claro que, para seu país, Mianmar "está passando de uma situação de negação de ajuda a pessoas necessitadas ou em perigo, para outra que pode levar a um verdadeiro crime contra a humanidade".

Apoiada por Reino Unido e EUA, a França pressionou o Conselho de Segurança a adotar uma postura firme em relação a Mianmar, mas China, Vietnã e outros membros do órgão da ONU resistem a se imiscuir no que consideram ser um problema doméstico.

Em Paris, o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, criticou hoje a realização da conferência internacional de doadores, mas confirmou a participação de seu país.

Os militares birmaneses continuam sem autorizar a entrada do navio "Mistral", das Forças Armadas francesas, que está ancorado em águas internacionais em direção à costa de Mianmar e carregado com ajuda humanitária para os desabrigados.

O navio transporta assistência humanitária para a sobrevivência de 100 mil pessoas por duas semanas, assim como tendas para 60 mil desabrigados. EFE emm/wr/fb

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