ONU diz ter até 100 funcionários desaparecidos no Haiti

Nações Unidas, 13 jan (EFE).- A ONU acredita possuir entre 50 e 100 empregados desaparecidos em sua sede em Porto Príncipe, destruída após o terremoto desta terça-feira no Haiti, que abalou também outras agências humanitárias do organismo.

EFE |

"Estimamos que são entre 50 e 100 os desaparecidos após o colapso do edifício de seis andares da sede das Nações Unidas. Ainda não os encontramos", disse o porta-voz da missão da ONU no Haiti (Minustah), Vincenzo Pugliese, em comunicado divulgado em Nova York.

Pugliese diz na nota que também desapareceram "outras dez pessoas" vinculadas às outras agências da ONU na capital haitiana e que estavam em um prédio adjacente, que habitualmente é ocupado pelo Fundo da ONU para a População.

O edifício abriga funcionários do Fundo da ONU para a População, assim como da luta contra a aids (Unaids), do Programa Mundial de Alimentos (PMA), do escritório de assuntos humanitários (Ocha) e do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma).

Entre os desaparecidos também estão o chefe da Minustah, Hédi Annabi, e seu adjunto Luiz Carlos da Costa, da mesma forma que a ex-porta-voz das Nações Unidas Michele Montas.

O Programa da ONU para o Desenvolvimento informou que o edifício que abrigava seus escritórios também ficou destruído e que 38 de seus funcionários estão desaparecidos.

"O terremoto causou danos maciços na área de Porto Príncipe e Jacmel", disse o porta-voz, que confirmou a destruição do Palácio Nacional, da Catedral, do Ministério da Justiça e de outros prédios governamentais, assim como de hotéis, hospitais, escolas e da prisão nacional.

O porta-voz também falou do difícil acesso para ajudar as vítimas, já que as principais vias de acesso estão praticamente destruídas e há várias árvores derrubadas. Além disso, falta água potável e há cortes de eletricidade.

"Estamos esperando para hoje a chegada de uma equipe de especialistas em resgates enviada pela China, que dirigirá a operação de busca em nosso quartel-general", acrescentou.

Segundo ele, os capacetes azuis da ONU e agentes da Polícia haitiana patrulham as ruas de Porto Príncipe para ajudar a manter a lei e a ordem, assim como para ajudar nas operações de resgate.

A Minustah tem em Porto Príncipe três mil soldados, pouco mais de um terço deles brasileiros, que estão garantindo a segurança do porto, aeroporto e dos principais prédios da capital, como explicou o chefe das operações de paz da ONU, Alain Le Roy.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 11 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no terremoto.

O porta-voz da Minustah indicou que, embora o terremoto tenha sido sentido em outros lugares do país, como Les Cayes (sudoeste) e Gonaives (norte), não há informações de grandes danos nessas áreas.

"Na capital, a destruição é geral e os serviços haitianos são incapazes de enfrentar a situação", acrescentou a fonte, que também assinalou que as agências da ONU reagruparam sua logística e todo seu pessoal em uma zona do aeroporto.

O poderoso terremoto aconteceu às 19h53 (Brasília) de terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. O primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, cifrou hoje em "centenas de milhares" o número de mortos. EFE emm/rr

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