ONU diz que violência causa 800 mil mortes ao ano

Marta Hurtado. Genebra, 12 set (EFE).- A cada ano quase 800 mil pessoas morrem no mundo em conseqüência da violência, e destas, mais de 500 mil perdem a vida devido à criminalidade em lugares onde não há guerra, segundo um estudo das Nações Unidas apresentado hoje.

EFE |

O relatório, intitulado "A carga global da violência armada" e realizado pelo instituto de controle das armas leves, mostra como dois terços do total de mortes violentas ocorridas no mundo acontece em países onde não há guerra declarada.

Segundo o estudo, a perda destas vidas não só tem conseqüências para o desenvolvimento social dos países onde ocorrem, mas um imenso peso na economia nacional.

Está comprovado que os conflitos em lugares onde não há guerra reduzem o Produto Interno Bruto (PIB) em até dois pontos percentuais ao ano.

O relatório considera que as mortes causam uma perda global no mundo de US$ 163 bilhões ao ano.

Além disso, segundo os cálculos dos especialistas, o custo global da violência armada é de cerca de US$ 400 bilhões anuais.

A América do Sul, a América Central e a região sul-africana são as três áreas onde acontecem mais mortes por violência armada sem a existência de guerras declaradas.

Na América Latina e na África, a violência armada é a sétima e a nona principal causa de mortes, respectivamente.

O relatório destaca que países como El Salvador, Jamaica e África do Sul têm níveis de homicídios tão altos que são maiores que em alguns de países em guerra.

A América Latina é a segunda região do mundo com maior nível de homicídios, com índices que superam amplamente a média mundial.

A zona com maior índice de homicídios é a África, mas o relatório mostra que existem 16 conflitos armados no continente, enquanto na América Latina só há dois.

Segundo os pesquisadores, o índice de homicídios por 100 mil habitantes é de 29,3 na América Central, 25,9 na América do Sul e 18,1 no Caribe. A média mundial é de 7,6 para cada 100 mil pessoas.

O relatório cita como exemplos Venezuela e El Salvador, que têm índices de violência de 37 e 59, respectivamente, para cada 100 mil habitantes.

"O tráfico de drogas, a atividade criminosa e os grupos juvenis desempenham um grande papel no aumento do índice de homicídios", diz o texto.

O relatório diz ainda que "o comércio de drogas incentiva a criminalidade em vários aspectos, através da violência ligada ao tráfico, ao tornar comum um comportamento ilegal e ao contribuir para a disponibilidade de armas de fogo".

De fato, as armas são peças-chave nos conflitos, pois aproximadamente 60% das mortes violentas são cometidas com armas de fogo. Na América Central, este índice sobe para 77%.

Outro dos aspectos destacado pelo relatório é a conseqüência indireta da violência. Nos últimos anos, cerca de 200 mil pessoas morreram no mundo por causas indiretas ao conflito, como doenças curáveis ou desnutrição.

Além disso, o relatório diz que em 2007 houve 1.425 casos de seqüestros no mundo.

O relatório surge de um projeto conjunto entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Suíça.

Em 2006, foi constituída a Declaração de Genebra sobre Violência Armada e Desenvolvimento que busca reduzir o número de mortes por violência armada no mundo.

Há dois anos, 42 Estados assinaram a declaração e, hoje, já são 94 os que a adotaram, motivo pelo qual se comprometeram a reduzir os níveis de violência em seus países até 2015, data em que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio devem ser cumpridos. EFE mh/fh/rr

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