ONU diz que teria perdido US$ 10 milhões em Mianmar por câmbio

Nações Unidas, 28 jul (EFE).- A ONU admitiu hoje que poderia ter perdido até US$ 10 milhões porque o sistema de câmbio de divisas do Governo de Mianmar (antiga Birmânia) eleva o valor da moeda nacional em 20% acima do preço no mercado aberto.

EFE |

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, reconheceu hoje que o sistema de câmbio de moeda que o regime militar obriga as organizações estrangeiras a cumprir se transformou em um "problema sério" para a distribuição de ajuda humanitária.

"As perdas são significativas, mas não gigantescas, e seriam de cerca de US$ 10 milhões", disse Holmes em entrevista coletiva por ocasião de sua recente visita a Mianmar.

O subsecretário-geral da ONU viajou na semana passada ao país para supervisionar a ajuda humanitária e os trabalhos de reconstrução nas zonas devastadas pela passagem do ciclone "Nargis" entre 2 e 3 de maio.

Ele disse que, durante sua estadia de três dias em Mianmar, transferiu aos dirigentes do regime militar que governa o país a preocupação das Nações Unidas com a perda que representa este câmbio de divisas.

"A resposta é que entendiam que esta situação representa um problema e que buscarão um mecanismo para evitar estas diferenças", relatou.

Os voluntários internacionais são obrigados a comprar em moeda estrangeira certificada ao Governo, com a qual depois recorrem às casas de câmbio para transformá-las na divisa local, o kyat.

Estas casas de câmbio operam dentro de um mercado aberto no qual os certificados têm um valor em kyat 20% inferior ao preço ao qual são vendidos pelas autoridades, explicou a ONU.

Holmes advertiu que as perdas causadas por esta taxa de câmbio se reduzem às verbas gastas dentro de Mianmar para adquirir produtos no mercado local, que são um terço dos cerca de US$ 200 milhões arrecadados até o momento pela ONU para as vítimas do furacão.

O representante da organização disse desconhecer se a Junta Militar se beneficiava diretamente da diferença entre o preço dos certificados e a taxa real de câmbio do kyat pelo fato de a conversão ser realizada em casas de câmbio privadas.

Holmes reconheceu que a perda no câmbio de divisas pode ser um fator que atrase a contribuição de novas doações ao fundo das Nações Unidas para as vítimas do ciclone. EFE jju/db

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