ONU diz que resta muito a fazer por vítimas de tremor no Haiti

Marta Hurtado. Genebra, 2 fev (EFE).- A ONU melhora dia a dia a assistência aos desabrigados do Haiti, mas ainda há muito a fazer antes de as necessidades de todos aqueles que precisam de ajuda serem atendidas de modo satisfatório.

EFE |

Foi o que disse hoje o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, John Holmes, que se mostrou bastante realista em relação aos esforços realizados até agora e aos desafios pendentes após o terremoto que arrasou Haiti em 12 de janeiro.

"Estamos melhorando dia a dia, e nossa assistência se estende e cresce constantemente. Mas ainda falta um caminho a percorrer para conseguirmos alcançar e ajudar todo mundo que precisa", afirmou Holmes em entrevista coletiva.

"Ainda estamos no momento em que a cada dia é vital", acrescentou.

Segundo Holmes, o problema mais controlado é a distribuição de água. "Podemos dizer que quase todo mundo tem acesso à água potável", que também é fundamental para evitar doenças como o cólera e infecções gastrintestinais.

Em relação à distribuição de alimentos, o diplomata disse que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) lançou hoje uma grande campanha para estabelecer 16 pontos de distribuição de comida para atender às necessidades da população.

"Esta campanha será realizada através da distribuição de cupons, por isso esperamos que seja mais ordenada que durante os primeiros dias de auxílio", acrescentou, Uma vez que as doenças e as necessidades básicas de comida e água estiverem sob controle, a ONU vai passar os próximos dias dando "o melhor refúgio possível aos haitianos".

Os especialistas decidiram "deixar as pessoas onde estão, seja em acampamentos improvisados ou nas ruínas de suas casas". "Vamos dar a eles o necessário para que possam se vestir, viver o mais dignamente possível, mas sem transferi-los, afirmou Holmes.

O secretário-geral adjunto destacou que essa decisão foi tomada em consenso entre os trabalhadores humanitários e o Governo, e apoiada pelas ONGs.

"Os especialistas disseram que era a melhor solução. O povo não quer ir embora de onde está, quer ficar perto de sua casa, mesmo que esta esteja destruída. Eles querem estar perto de seu trabalho. Além disso, se forem montados grandes acampamentos, depois é muito difícil desfazê-los. E algo que tinha que ser temporário se eterniza", justificou Holmes.

Por isso, os trabalhadores humanitários estão distribuindo plásticos, cobertores e artigos de primeira necessidade para os haitianos expostos à intempérie, embora nada disso vá funcionar caso haja um furacão na próxima estação chuvosa.

"Ainda é uma solução muito temporária, ninguém nega. E, sim, há muita frustração, mas é o que se pode fazer por enquanto. A situação melhora dia a dia", repetiu Holmes.

Em relação aos menores desamparados, o secretário-geral adjunto deixou muito claro que foram aplicados todos os mecanismos para evitar que haja sequestros de crianças e repetiu que nenhuma adoção não completada antes do tremor será concluída agora.

Sobre o valor dos salários pagos aos haitianos que trabalham para a ONU na reconstrução ou em outras atividades, Holmes ressaltou que são "adequados à média salarial no país".

"O que não podemos é destruir o mercado local. A média de um jornal diário no Haiti é de US$ 3, nós pagamos US$ 4", argumentou.

Holmes explicou que atualmente há 25 mil haitianos contratados pelas Nações Unidas e que o objetivo é chegar a cerca de 250 mil.

Perguntado sobre a segurança, o diplomata admitiu que a situação continua "sendo volátil", mas que, por enquanto, tudo permanece sob controle.

Para Holmes, é necessário que os soldados americanos e canadenses presentes no Haiti permaneçam "pelo menos alguns meses" no país.

"Mas quando o Governo e os capacetes azuis puderem assumir a situação, tenho certeza que eles (americanos e canadenses) vão se retirar sem nenhum tipo de problemas".

Holmes não soube dar uma data para essa retirada. Além disso, reconheceu que a ONU "não tem um plano a longo prazo", porque a ação sobre o terreno ainda é considerada de emergência. EFE mh/sc

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