Nações Unidas, 5 nov (EFE).- O secretário-geral adjunto da ONU para Operações de Paz, Edmund Mulet, advertiu hoje que o possível processamento em Haia do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, pode prejudicar a paz e pôr em perigo as duas missões das Nações Unidas no país africano.

Mulet disse, em um comparecimento perante o Conselho de Segurança da ONU, que a ordem de detenção solicitada pela Promotoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) se tornou "o centro da vida política no Sudão".

A aprovação da solicitação por parte dos magistrados do tribunal teria "implicações de segurança e outra natureza" para a missão de paz da ONU e da União Africana em Darfur (Unamid) e a missão de paz no Sudão (Unmis), assinalou.

Também "poderia descarrilar o processo do acordo de paz" no sul do Sudão, acrescentou.

O acordo assinado em 2005 por Cartum e o Movimento Popular de Libertação do Sudão (MPLS) pôs fim a 21 anos de guerra, na qual morreram dois milhões de pessoas, em um conflito em que se enfrentaram o norte, muçulmano, e os rebeldes do sul, em sua maioria cristãos e animistas.

Mulet disse se preocupar com "os indícios de que uma ordem de detenção provocaria uma reação incontrolada da população contra Unmis", a missão que se encarrega de supervisionar o cumprimento do acordo de paz.

"Também nos preocupam as declarações das autoridades que têm a intenção de expulsar o pessoal da ONU, ou de elementos das missões que se acredita que cooperarem com o TPI, apesar de que trabalham com um mandato do Conselho de Segurança", indicou.

Cartum já havia advertido que a pacificação da região de Darfur se transformaria em impossível se o Conselho de Segurança não usasse sua autoridade para deter a ordem de detenção.

A União Africana (UA) solicitou à ONU que intervenha em favor de Bashir, mas alguns de seus membros permanentes, como EUA, França e Reino Unido, não são partidários de interferir no trabalho do tribunal internacional.

O promotor-chefe do TPI, Luis Moreno-Ocampo, pediu, em 14 de abril, uma ordem de detenção contra o presidente sudanês por genocídio, crimes de guerra e lesa-humanidade supostamente cometidos pelas forças governamentais e sua milícia em Darfur. EFE jju/rr

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