ONU diz que Objetivos do Milênio podem não ser cumpridos no prazo

Nações Unidas, 1 abr (EFE) - A Assembléia Geral da ONU advertiu nesta terça-feira à comunidade internacional que é cada vez mais difícil que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) sejam cumpridos e se perca a aposta de reduzir a pobreza extrema do mundo à metade até 2015.

EFE |

Esse é o consenso das conversas protagonizadas pelos ministros, diplomatas, acadêmicos e voluntários de mais de 100 países que hoje inauguraram o debate da Assembléia Geral sobre as perspectivas de alcançar os ODM até o prazo estipulado.

As críticas aos países mais desenvolvidos por descumprir suas promessas de redobrar o financiamento do desenvolvimento se somam agora às devastadoras conseqüências que o exorbitante aumento do preço dos alimentos no mercado mundial pode ter para os mais pobres.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assegurou na abertura dos dois dias de debate que está sendo enfrentada "uma emergência" na luta contra a pobreza, apesar do progresso obtido em algumas áreas e regiões em particular.

Ban citou como exemplos de sucesso "indiscutível" que três milhões de crianças a mais podem sobreviver em comparação com oito anos atrás, que dois milhões a mais recebem tratamento para a aids e que "milhões" de menores podem ter acesso à educação.

"Claramente foram alcançadas mudanças reais, mas é pouco frente ao que sei que podemos conseguir", apontou o secretário-geral.

Em particular, Ban reiterou a advertência feita desde o ano passado pelos analistas da ONU de que a região da África Subsaariana está a caminho de descumprir todos os oito ODM.

A esse grupo de nações se uniram as dificuldades de "algumas economias asiáticas de maior crescimento para melhorar a nutrição" e a incapacidade dos chamados "países de renda média" da América Latina de eliminar seus tradicionais bolsões de pobreza extrema.

Ban advertiu sobre as dificuldades adicionais que uma possível desaceleração da economia mundial e a incessante alta dos preços dos alimentos representam para os mais necessitados.

Cereais básicos como arroz, trigo e milho praticamente dobraram de preço nos mercados mundiais em pouco mais de um ano, o que está provocando graves crises alimentícias e distúrbios ao longo de todo o mundo.

Uma das conseqüências destas altas é a necessidade de aumentar as contribuições aos mecanismos de ajuda ao desenvolvimento, o que torna ainda mais necessário que os países mais ricos cumpram suas promessas de destinar cerca de 0,7 ponto percentual de seu Produto Interno Bruto (PIB) à cooperação.

O presidente da Assembléia Geral da ONU, Srgjan Kerim, lembrou que cumprir os objetivos significa tirar 500 milhões de pessoas da pobreza, alimentar adequadamente 300 milhões e salvar a vida de 30 milhões de crianças.

Kerim considerou que 2008 deverá ser o "ano das ações" e afirmou que "os compromissos devem se transformar em atuações".

"A meio caminho entre a adoção dos objetivos e o prazo para cumpri-los, ao passo em que estamos claramente é lento demais", acrescentou.

Outro ponto destacado por alguns oradores foi a necessidade de revisar as políticas agrícolas protecionistas dos Estados Unidos e da União Européia (UE), que para seus críticos alimenta o explosivo aumento dos preços dos alimentos.

O empresário americano Ted Turner, convidado de honra do almoço oferecido pelo presidente da Assembléia, afirmou que, como partidário do livre mercado, gostaria de ver um maior acesso dos produtores pobres aos mercados agrícolas ricos.

"Quanto mais reduzirmos as restrições, mais oportunidades de desenvolvimento ofereceremos aos mais pobres", apontou.

Turner, fundador da rede de televisão "CNN", aproveitou sua participação no debate para anunciar a organização, através da Fundação das Nações Unidas, de uma campanha de arrecadação de US$ 200 milhões para combater a malária.

O empresário considerou que fracassar nos ODM significa contribuir para um mundo mais inseguro, porque "paz e pobreza não se dão as mãos".

O debate iniciado hoje se inscreve na tentativa da ONU de centrar a atenção mundial em 2008 nos chamados "um bilhão de esquecidos" que sobrevivem com menos de US$ 1 ao dia, da mesma maneira como foi feito com o aquecimento global no ano passado. EFE jju/mac/db

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