Genebra, 17 jul (EFE).- Cerca do 40% da população mundial carece de inodoros, outros sanitários e infra-estruturas que evitem que as águas residuais e fecais contaminem o ambiente, diz um relatório da ONU, que reconhece que o alvo de Desenvolvimento do Milênio de melhorar o saneamento básico não será cumprido.

Na apresentação do estudo um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jamie Bartram, lançou uma advertência hoje de que, como estava estipulado, em 2015 não se terá reduzido à metade o número de pessoas sem acesso a estes serviços sanitários básicos em comparação aos números de 1990.

Segundo o documento, em 2015 o mundo continuará tendo cerca de 2,5 bilhões de pessoas sem acesso a inodoros ou infra-estruturas sanitárias básicas, como dutos de água.

Bartram, considerando estas previsões, afirmou que é conveniente "olhar além de 2015 e ver novos enfoques e maneiras de conseguir isto".

Por outro lado, o relatório destaca as melhoras obtidas no acesso à água da população mundial apesar de 1 bilhão de pessoas continuarem carecendo deste serviço básico.

Segundo as avaliações mais recentes, 87% dos habitantes do planeta têm acesso a uma fonte de água potável, livre de contaminação química ou fecal.

No entanto, o documento destaca o pequeno avanço conseguido para reduzir ou fechar a brecha de desigualdade que nesta questão existe entre as áreas rurais e urbanas.

Nas primeiras vivem cerca de 746 milhões de pessoas sem acesso a água potável, número quatro vezes maior que nas cidades, onde 137 milhões de pessoas continuam sem poder contar com este serviço básico.

A análise também fala das disparidades de gênero nesta questão e revela que em 64% das vezes são as mulheres que transportam água até suas casas, enquanto apenas 25% dos homens adultos assumem esta tarefa.

No relatório, segundo outro especialista da OMS, Jacqueline Sims, chama a atenção o fato de que em apenas 11% dos casos estudados as crianças são envolvidas no transporte da água da fonte até sua casa.

O relatório, elaborado conjuntamente pela OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), afirma que a ausência de higiene é a causa de inúmeras doenças e que a prática mais perigosa é a de defecar ao ar livre, algo que cerca de 1,2 bilhão de pessoas continuam fazendo ao redor do mundo. EFE is/fal

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