ONU diz que não havia militantes em escola bombardeada em Gaza

NAÇÕES UNIDAS - Uma alta autoridade da ONU negou nesta quarta-feira que havia qualquer militante do Hamas dentro da escola administrada pela entidade em Gaza, onde um bombardeio de Israel matou mais de 40 pessoas na última terça-feira. Desde o início da operação militar israelense, em 27 de dezembro, mais de 700 palestinos morreram em Gaza, segundo os serviços médicos da região.

Redação com agências internacionais |


O Exército israelense acusou o Hamas de usar civis como "escudos humanos" e disse que suas tropas haviam apenas reagido depois que militantes armados atiraram morteiros de dentro da escola al-Fakhora, no campo de refugiados de Jabalya. Citando relatórios de inteligência, os israelenses deram os nomes de dois homens que seriam militantes islâmicos mortos no ataque.

Em uma videoconferência, John Ging, diretor de operações em Gaza para a UNRWA, a agência de ajuda humanitária da ONU e que atua na região, disse a jornalistas que estavam na sede da ONU em Nova York que ele havia visitado a escola de Jabalya durante a trégua de três horas nos combates ocorrida nesta quarta-feira.

"Eu fui informado mais uma vez pela direção da escola, meus próprios funcionários, de cargos importantes, experientes, com muito tempo de serviço, que não havia militantes na escola", disse Ging. "Estou muito certo agora de que não havia atividade militante dentro da escola nem militantes na escola", disse Ging, reiterando um pedido por uma investigação independente.

John Holmes, a principal autoridade humanitária da ONU, disse na mesma coletiva de imprensa que os mais recentes números apontam para 43 mortos e 100 feridos na escola. As mortes incluem pessoas que estavam refugiadas dentro da escola e moradores de edificações próximas.

12º dia de ataques

Depois de uma pausa de três horas nesta quarta-feira, Israel retomou os ataques na região de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. Segundo um porta-voz do exército israelense, os ataques foram reiniciados logo após as 11h (horário de Brasília).

O objetivo dos ataques é acabar com dezenas de túneis ao longo da "Rota Philadelphi", que liga o território palestino ao Sinai egípcio e pelos quais, segundo Israel, as milícias se abastecem de armas e foguetes que lançam contra seu território.

O governo israelense disse que haverá uma pausa diária nos ataques para permitir que a população de Gaza possa receber auxílio médico e suprimentos. Correspondentes afirmam que ainda não está claro se essa pausa diária cobrirá toda a Faixa de Gaza.

AFP
Crianças choram a morte de 10 parentes durante ataque israelense 

Nesta quarta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que Israel e a Autoridade Palestina aceitaram uma proposta elaborada por Egito e França de cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Horas depois, um porta-voz do gabinete de Sarkozy afirmou que o comunicado do presidente da França foi uma reação aos comentários positivos de Israel e da Autoridade Palestina sobre o acordo.

Israel disse que teria aceitado em princípio os termos do acordo, que ainda estava sendo negociado. Um membro do alto escalão do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse à BBC que, apesar de "sinais positivos", ainda não houve um acordo em relação ao plano do cessar-fogo. A Autoridade Palestina é controlada pelo Fatah, rival do Hamas.

Vítimas

O anúncio das pausas diárias de três horas nos bombardeios veio depois da decisão de Israel de aceitar a criação de um corredor para permitir o envio de suprimentos ao território palestino, onde vivem 1,5 milhão de palestinos.

Segundo o governo, Israel vai abrir algumas áreas "por períodos limitados de tempo durante os quais a população vai poder receber ajuda". A intenção da proposta, segundo o gabinete de Olmert, é "evitar uma crise humana" na região.

Pelo plano, Israel vai suspender ataques contra áreas específicas de Gaza para permitir que os habitantes possam receber e estocar produtos de primeira necessidade.

Para John Ging, da agência de auxílio aos refugiados palestinos das Nações Unidas, a oferta israelense é um avanço na crise, mas a prioridade continua sendo o fim da violência na região.

Reuters
Palestina procura objetos nos destroços de sua casa


12º dia de bombardeios


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