Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Estima-se que 300 mil pessoas tenham morrido nos cinco anos de conflito em Darfur (Sudão), um aumento dramático em relação aos cálculos anteriores de 200 mil vítimas fatais, afirmou na terça-feira uma importante autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU).

O embaixador sudanês junto à ONU, Abdalmahmoud Abdalhaleem, disse que o dado era um exagero grosseiro.

John Holmes, subsecretário-geral da ONU para questões humanitárias, mencionou a nova estimativa em um discurso proferido em um encontro do Conselho de Segurança da entidade convocado para debater o conflito em Darfur.

'Um estudo de 2006 sugeriu que 200 mil pessoas tinham perdido a vida em consequência dos efeitos combinados do conflito. Esse número deve ser maior agora, talvez 50 por cento maior', disse Holmes, segundo uma transcrição de seu discurso.

Abdalhaleem afirmou que o governo sudanês estimava em 10 mil o número de vítimas fatais do conflito, uma cifra um pouco maior que o dado anterior de 9.000 mortos.

'Essas declarações feitas por Holmes não ajudam em nada, não são corretas e não são confiáveis', afirmou o embaixador à Reuters. 'Ele deveria nos dizer quem realizou esse estudo, quem o encomendou e como os dados foram calculados.'

Holmes não forneceu detalhes sobre a origem da estimativa.

Especialistas de várias partes do mundo dizem que mais de 2 milhões de pessoas foram expulsas de suas casas pelos conflitos em Darfur, uma região do tamanho da França mais ou menos.

Holmes descreveu um cenário sombrio para aquela área.

'Darfur caracteriza-se ainda hoje pela falta de segurança, pela falta de leis e pela impunidade.'

'Abusos generalizados dos direitos humanos continuam a ser registrados em vários pontos da região', afirmou. 'E um dado particularmente preocupante diz respeito aos elevados níveis de violência sexual.'

Holmes disse que os funcionários de grupos de ajuda humanitária também se tornaram vítimas de atos de violência em Darfur. Segundo a autoridade da ONU, houve 106 roubos de veículos desses grupos realizados por rebeldes ou por aliados deles, um aumento de 350 por cento em relação a 2007.

O subsecretário acusou o governo sudanês de não adotar as medidas necessárias para proteger os comboios que transportam material de ajuda.

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