ONU diz que mês eleitoral afegão foi o mais violento de 2009

Cabul, 26 set (EFE).- A ONU calcula que 1,5 mil civis afegãos morreram nos primeiros oito meses de 2009 e que o mês mais sangrento para a população civil foi agosto, que coincidiu com a realização das eleições presidenciais, segundo um relatório enviado hoje à imprensa.

EFE |

A missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) emitiu um comunicado no qual o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez uma chamada para que "todos" aceitem os resultados finais que devem ser anunciados após a apuração parcial devido a supostas fraudes no pleito de 20 de agosto.

A nota continha textualmente as palavras de Ban Ki-moon em um relatório com data de ontem no qual alertou da "tendência de aumento da insegurança nos meses recentes e da violência relacionada" ao processo eleitoral.

Segundo o estudo, assinado pelo secretário-geral, 1,5 mil civis morreram entre janeiro e agosto, que foi o mês mais sangrento para a população civil, embora a ONU não tenha detalhado quantos mortos.

O relatório atribuiu 68% das vítimas civis a "elementos antigovernamentais", em alusão à insurgência, frente aos 23% de vítimas das forças internacionais e afegãs, sobretudo em bombardeios.

Estes números não incluem o ataque aéreo ordenado pelas tropas alemãs em setembro na província de Kunduz, que matou 30 civis, de acordo com a investigação das autoridades afegãs.

Em 2008, 2,118 mil civis morreram por causa do conflito, quase 40% a mais que no ano anterior.

Na política, Ban Ki-moon reconheceu que "o nível de supostas irregularidades eleitorais originou uma significativa turbulência política que gera o temor por um retorno da violência quando os resultados (finais) forem anunciados".

Para o secretário-geral da ONU, é de uma "grande importância" que o resultado final seja aceito diante da formação de um novo Governo.

"O Governo tem que estar decidido a assumir todas as responsabilidades que correspondem a um Estado soberano. A comunidade internacional, por sua vez, deve desempenhar um papel que é claramente de apoio" ao Executivo, disse.

Por ordem da Comissão de Queixas, órgão no qual há membros da ONU, a Comissão Eleitoral deve realizar uma nova apuração em 10% dos colégios, suspeitos de terem registrado fraudes.

Os resultados provisórios, anunciados no dia 16 pela Comissão Eleitoral, deram maioria absoluta ao atual presidente, Hamid Karzai, com 54,6% dos votos. EFE lo-amp/an

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