Tegucigalpa, 13 out (EFE).- O representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), José Manuel Martínez, afirmou que há um vínculo entre o tráfico e a violência nas favelas brasileiras, mas ressaltou que a legalização das drogas não é a solução para o problema.

Na abertura da 18ª Reunião dos Chefes de Organismos Nacionais de Combate ao Tráfico de Drogas, em Honduras, Martínez declarou que o crime organizado e narcotráfico são a maior ameaça à segurança pública no continente americano.

"A opinião pública no continente manifesta que aquilo que mais teme não é o terrorismo, nem a mudança climática, nem a crise financeira, nem o desemprego, mas a insegurança pública", ressaltou.

Martínez enfatizou que "a grande diferença" da América para as outras regiões do mundo é que a demanda é "equiparável" com a oferta, o que faz com que "o problema da droga deva ser tratado em nível hemisférico".

A "América Central e o Caribe estão apanhados no fogo cruzado de drogas e armas", disse ele, que acrescentou que "as Américas enfrentam o problema de drogas mais urgente do mundo".

No entanto, ele se posicionou contra a legalização das drogas.

"Diante de um problema difícil de se resolver, nos convidam a colocar a cabeça sob terra como o avestruz e aceitar o livre mercado das drogas que aniquilam nossos jovens", lamentou Martínez.

Martínez também se referiu ao último relatório mundial sobre as drogas feito pela UNODC, segundo o qual a "América do Sul produz toda a cocaína do mundo (950 toneladas) e a América do Norte consome a metade desta produção", enquanto a outra parte vai para a Europa.

No encontro em Honduras, que terminará na sexta-feira, centenas de delegados latino-americanos e caribenhos, mais observadores europeus e asiáticos, debaterão a portas fechadas em um hotel de Tegucigalpa as tendências, rotas, redes de distribuição, volumes de envios e outros aspectos do narcotráfico. EFE lam/rb/rr

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