ONU diz que há muitos desaparecimentos na Argentina ainda não esclarecidos

Buenos Aires, 24 jul (EFE).- Um grande número de casos de desaparecimentos forçados de pessoas ainda não foi esclarecido na Argentina, onde a inatividade da Justiça provocou um grande dano, advertiu hoje a ONU em Buenos Aires.

EFE |

O número de desaparecimentos durante a última ditadura militar (1976-1983) chegou "perto dos 30 mil", disse o Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários das Nações Unidas, apesar dos cálculos oficiais indicarem que as vítimas da repressão ilegal foram 18 mil.

Já as organizações humanitárias locais também afirmaram que o Governo de fato provocou 30 mil desaparecimentos.

O grupo informou na capital argentina que somente foi notificado sobre 3.445 casos no país sul-americano, dos quais 3.303 ainda não foram esclarecidos.

O presidente da organização, o mexicano Santiago Corcuera Cabezut, disse em coletiva de imprensa que o órgão não é informado de todos os casos.

O órgão da ONU também considerou necessária a implantação no país de um "programa integral de proteção a testemunhas", por causa de "múltiplos pedidos" recebidos durante sua visita a Buenos Aires, na qual se reuniram com funcionários e organizações de direitos humanos.

"Sem dúvida alguma, os mais de 20 anos de inatividade processual e impunidade provocados pelas leis de ponto final e obediência devida - canceladas em 2003 - causaram um grande dano, constitutivo em si mesmo de violações a obrigações internacionais em matéria de direitos humanos", manifestou o grupo.

De todo jeito, destacou que o país conseguiu nos últimos anos "20 condenações aos perpetradores considerados responsáveis por estes abomináveis crimes" e que "existem cerca de mil causas em processo".

"Na Argentina, estão sendo adotadas medidas efetivas e queríamos ver isso em outros países, onde vigoram leis de anistia ou onde atuam como se estivessem", declarou o titular do grupo, que também visitou as instalações de alguns dos centros clandestinos de detenção da ditadura.

O Grupo de Trabalho disse ainda que durante 2007 foi possível determinar o destino de 55 vítimas de desaparecimento forçado a partir de informação proporcionada pelo Governo.

Também considerou "lamentável e preocupante" que ainda permaneça desaparecido o pedreiro Jorge Julio López, considerado "o primeiro desaparecido da democracia", cujo paradeiro é desconhecido desde que há 22 meses testemunhou no julgamento contra um repressor da última ditadura. EFE ms/rb/rr

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