ONU diz que Exército colombiano matou civis inocentes

Por Hugh Bronstein BOGOTÁ (Reuters) - Um investigador da ONU criticou o Exército colombiano nesta quinta-feira por não coibir uma prática comum entre seus soldados de assassinar civis inocentes e contabilizar as mortes como baixas da guerrilha.

Reuters |

O episódio de 19 homens e meninos mortos por soldados no ano passado em Soacha, subúrbio de Bogotá, é somente "a ponta do iceberg", disse o relator de execuções extrajudiciais da Organização das Nações Unidas, Phillip Alston.

Os colombianos ficaram chocados com os assassinatos cometidos por soldados em busca de promoções, bônus e outros benefícios oferecidos para um Exército sob crescente pressão após 45 anos de insurgência esquerdista.

O funcionário da ONU, no final de uma missão de 10 dias, afirmou que tais casos representam uma prática "mais ou menos sistemática" de "elementos significativos entre os militares".

Alston afirmou que a prática nunca fez parte da política oficial de Estado, e que o ministério da Defesa agiu para parar com essas mortes. Mas os esforços para levar os culpados à Justiça têm sido lentos e realizados de forma inadequada, ressalvou.

Civis têm sido mortos por soldados em todo o país no que Alston chamou de "assassinatos premeditados e a sangue frio de civis inocentes, por lucro".

O maior número desse tipo de morte ocorreu na periferia pobre de Soacha, onde recrutas iludem as vítimas com promessas de trabalhos lucrativos. Em vez disso, as pessoas eram mortas, vestidas como combatentes rebeldes e fotografadas com armas.

"As provas mostram as vítimas com roupas camufladas apertadas, ou com botas para selva quatro números maior que o tamanho delas, ou canhotos com armas na mão direita, ou homens com somente um orifício de tiro na nuca, e isso sustenta a ideia de que são guerrilheiros mortos em combate."

O governo, que convidou a missão e cooperou com o inquérito, tomou "medidas importantes para parar e reagir a essas mortes", afirmou Alston.

"Mas o número de processos bem-sucedidos continua muito baixo", acrescentou.

O presidente Álvaro Uribe, eleito pela primeira vez em 2002, usou bilhões de dólares em ajuda dos Estados Unidos para intensificar a luta contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e tornou mais seguras áreas mais extensas do país.

(Reportagem de Hugh Bronstein)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG