ONU diz que crescimento da aids está relacionado à violência contra mulheres

Juan David Leal México, 31 jul (EFE).- A diretora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), Inés Alberdi, afirmou hoje que a epidemia da aids está intimamente ligada à violência contra a mulher.

EFE |

A três dias da abertura da 17ª Conferência Internacional de Aids no México, Alberdi lamentou que as mulheres continuem sendo vítimas de "violência doméstica, mutilação genital, tráfico de pessoas e abusos".

A socióloga espanhola disse que "a violência contra as mulheres é, ao mesmo tempo, uma causa e uma conseqüência do HIV".

As mulheres são "fisiologicamente mais suscetíveis ao HIV, já que a violência sexual pode causar feridas vaginais, especificamente entre as mulheres mais jovens, o que aumenta o risco de transmissão".

Alberdi afirmou que a violência faz com que as mulheres não busquem tratamento. Elas ficariam com receio das reações dos parceiros, que costumam variar entre agressões e até expulsão de seus lares.

A socióloga, por outro lado, se mostrou satisfeita com o aumento no número de centros que fornecem serviços integrados para o tratamento e informação sobre o HIV e a violência familiar, exames médicos e orientação jurídica.

De acordo com Alberdi, apesar da criação de uma nova legislação no mundo sobre violência de gênero e do crescimento do número de organizações civis, ainda "há muito o que fazer".

Além disso, a UNIFEM lançou pela Internet a campanha "Diga não à violência contra as mulheres", à qual se juntou hoje durante o evento a cantora mexicana Julieta Venegas.

Já o subsecretário de Prevenção e Promoção da Secretaria de Saúde do México, Mauricio Hernández, destacou que em seu país foram registrados 121 mil casos de aids, entre 1986 e junho de 2008. A maioria é formada por homens (82%) e 17,5% são mulheres (21 mil).

"Os números demonstram que a doença está aumentando com maior velocidade entre as mulheres" disse o subsecretário, que disse que 90% dos contágios de mulheres se dão em relações heterossexuais.

O UNIFEM administra um fundo da ONU que apóia atualmente iniciativas em oito países.

Uma das beneficiadas é Sergia Galván, coordenadora do Coletivo Mulher e Saúde, uma ONG da República Dominicana que administra um programa na fronteira desse país e Haiti.

Galván disse que "a violência do HIV, a discriminação e a subordinação contra as mulheres é a mesma na Índia, República Dominicana, Tailândia e Vietnã".

"Na República Dominicana, a doença atinge 0,8% da população, mas nos povoados de origem haitiana esse número chega a 3,5%".

O UNIFEM diz que, no fim 1999, as mulheres latino-americanas constituíam 25% das pessoas com HIV, e no Caribe 30%. Entretanto, em 2001, essas proporções aumentaram para 30% e 50%, respectivamente.

EFE jd/rb/plc

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