ONU diz que Brasil e México são países mais afetados por HIV na A. Latina

Marta Hurtado Genebra, 29 jul (EFE).- Brasil e México continuam sendo os países com mais pessoas infectadas pelo HIV na América Latina, região onde a epidemia se mantém estável há uma década, segundo o relatório anual do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids, em inglês), divulgado hoje em Genebra.

EFE |

O documento destaca que o fato de o Brasil ter aplicado "um enfoque simultâneo em garantir o acesso aos serviços tanto de prevenção quanto de tratamento do HIV ajudou a manter estável sua epidemia".

Além disso, o Unaids considera um êxito o fato de que o acesso generalizado ao tratamento anti-retroviral a todos os soropositivos brasileiros ter reduzido pela metade a taxa de mortalidade por aids entre 1996 e 2002.

No entanto, o Unaids insiste na elevada prevalência do HIV entre a população carcerária do Brasil.

"Os níveis de conhecimento do HIV entre os presos parecem ser altos, mas o acesso aos serviços de prevenção nas cadeias continua sendo insuficiente", destacou.

Na América Latina, sem contar o Caribe, foram registrados 140 mil novas contaminações no ano passado. No mesmo período, 63 mil pessoas morreram em conseqüência de doenças relacionadas com a aids, elevando o número total de latino-americanos soropositivos para 1,7 milhão. Desse total, 730 mil são brasileiros e 200 mil, mexicanos.

Sobre as formas de transmissão, mais da metade dos casos do México (57%) são atribuídos a relações homossexuais sem proteção.

Outro dos meios de contágio mais comuns acontece entre as prostitutas. Isto acontece sobretudo na América Central, em países como Honduras, Guatemala e El Salvador.

No entanto, o relatório destaca que um programa intensivo de promoção do uso de preservativo reduziu os níveis de incidência em Honduras.

Um dos temas que mais preocupam o Unaids é o crescente número de mulheres infectadas em relações sexuais sem proteção com seus parceiros, que antes fizeram sexo com outro homem sem preservativo ou compartilharam seringas contaminadas.

Exemplo disso é o Uruguai, onde se estima que as relações sexuais sem proteção sejam os causadores de dois terços dos novos casos de HIV notificados.

Um dado positivo da América Latina é a diminuição dos casos de infecção causada pelo consumo de drogas intravenosas. Em Buenos Aires, por exemplo, apenas 5% dos novos contágios registrados entre 2002 e 2005 se deveram à troca de seringas contaminadas.

Na Argentina, assim como na Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, a prevalência do HIV se dá entre homens que mantêm relações sexuais com outros homens.

Das 33 milhões de pessoas soropositivas no mundo, a América Latina ocupa a terceira posição, atrás da África Subsaariana, com 22 milhões, e do Sudeste Asiático e Sul da Ásia, com 4,2 milhões. Ainda há 1,5 milhão de contaminados no Leste Europeu e 1,2 milhão na América do Norte.

Os outros soropositivos se concentram no Extremo Oriente (740 mil), Europa Ocidental e Central (730 mil), Norte da África e Oriente Médio (380 mil), Caribe (230 mil) e Oceania (74 mil).

China e Rússia são dois dos países onde mais houve aumento dos casos de aids.

Em países ocidentais, como Alemanha e Reino Unido, também foi detectado avanço da doença, enquanto Ruanda e Zimbábue registraram retrocesso, em parte relacionado ao uso de preservativos ou certas proibições que obrigaram a população a mudar seu comportamento sexual.

Entre os países com maior índice de infecções por HIV, figuram Indonésia, Quênia, Moçambique, Papua Nova Guiné, Vietnã e Austrália.

Há dados positivos no relatório, como notáveis progressos em países gravemente afetados pelo HIV graças à maior prevenção das contaminações.

Além disso, em outros países da África - que continua sendo o continente mais afetado pela epidemia - detectou-se que os jovens demoravam mais tempo para terem relações sexuais completas (com penetração), reduzindo o risco de contaminação.

Estes indícios foram registrados em Burkina Fasso, Camarões, Etiópia, Gana, Malauí, Uganda e Zâmbia.

O relatório destaca o exemplo de Camarões, onde o percentual de jovens que tinham relações sexuais antes dos 15 anos de idade caiu de 35% para 14%.

"Estas mudanças de parâmetros sexuais são uma grande conquista", declarou em entrevista coletiva o diretor-executivo do Unaids, Michel Sidibe.

No entanto, segundo o Unaids, só 40% dos jovens de 64 países têm informação básica sobre o HIV e suas conseqüências.

A África Subsaariana tem as dois terços de todas as pessoas que vivem com HIV no mundo. O Unaids destaca que a epidemia mundial se estabilizou quanto ao percentual de pessoas infectadas.

"O programa de prevenção está dando bons resultados", disse Sidibe.

No entanto, o Unaids não esconde que diariamente ocorrem 7.500 novos contágios, o que tem provocado aumento do número total de pessoas infectadas, que já alcança 33 milhões, 15,5 milhões delas mulheres.

Este número é o resultado das 2,7 milhões de novas infecções e das 2 milhões de mortes relacionadas à aids registradas em 2007.

No ano passado, 370 mil crianças foram contaminadas com o HIV, aumentando para 2 milhões o número de menores de 15 anos que sofrem de aids.

O texto destaca que em praticamente todas as regiões do mundo, menos na África Subsaariana, o HIV afeta desproporcionalmente às pessoas que usam drogas injetáveis, os homossexuais e as prostitutas.

"Estamos fazendo muitos progressos, mas devemos ser realistas, ainda há muito que fazer porque o realizado não é suficiente para lutar contra a doença", afirmou Sidibe.

O relatório, redigido com as informações fornecidas por 147 países, será apresentado detalhadamente na 17ª Conferência Internacional sobre a Aids, que acontecerá de 3 a 8 de agosto na Cidade do México. EFE mh/wr/plc

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