ONU diz que água poluída mata mais que violência

Nações Unidas, 22 mar (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou hoje que a água poluída causa mais mortes que a violência e os conflitos armados, o que representa um fracasso moral e pragmático inaceitável para a comunidade internacional.

EFE |

"Estas mortes são uma afronta à humanidade e atrapalham os esforços de muitos países para atingir o seu desenvolvimento potencial", disse Ban em uma mensagem divulgada por ocasião do Dia Mundial de Água, comemorado hoje.

Além disso, o secretário-geral da ONU ressaltou que o aumento da constante da demanda por alimentos, matérias-primas e energia causado pelo crescimento demográfico "compete" pela água com os ecossistemas de que "precisamos para sobreviver".

Segundo ele, as consequências da mudança climática devem agravar a escassez de água potável existente nas regiões mais áridas do mundo.

Em sua mensagem, Ban reiterou que proporcionar acesso à água potável aos 884 milhões de pessoas que não a têm é um fator-chave para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O desafio de universalizar o acesso à água potável, assim como o de proporcionar serviços de saneamento às 2,6 bilhões de pessoas que carecem de latrinas e vasos sanitários, foi objeto de um debate realizado hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas.

O encontro é parte dos preparativos da cúpula sobre os Objetivos do Milênio, convocada pelo secretário-geral, que será realizada entre os dias 20 e 22 de setembro.

"Quando voltarmos a nos reunir para falar dos ODM, inevitavelmente teremos que falar de água", assinalou o presidente da Assembleia Geral, o líbio Ali Abdusalam Treki.

Segundo o Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), todos os dias, dois milhões de toneladas de resíduos de águas e esgoto, além de resíduos industriais e agrícolas, são jogados nas águas dos rios e oceanos do mundo.

Ao mesmo tempo, 1,8 milhão de crianças com menos de cinco anos morrem por ano devido a doenças causadas pela água.

"Isto é um luxo para quase um bilhão de pessoas no mundo", disse, segurando um copo de água na mão, o ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, o sueco Jan Eliasson.

O ex-ministro de Assuntos Exteriores sueco, que participou da reunião como diretor da ONG WaterAid, pediu que se "fale mais de vasos sanitários" nos círculos políticos.

A ausência de serviços sanitários acaba por criar condições para a disseminação de doenças como a disenteria e a aparição de diarréias, que no caso das crianças frequentemente são fatais, explicou.

"É preciso mobilizar esforços, porque esta situação é uma tragédia humanitária", acrescentou Eliasson.

Em 1993, a Assembleia Geral da ONU decidiu designar o dia 22 de março como Dia Mundial de Água para chamar a atenção sobre a importância de assegurar o acesso à água potável, seu tratamento de maneira adequada e o oferecimento de serviços de saneamento. EFE jju/pb/bba

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