ROMA (Reuters) - Pelo menos 80 por cento da população da Faixa de Gaza precisa de assistência alimentar urgente, e Israel precisa facilitar o acesso da ajuda humanitária à região, disse na sexta-feira a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA, um órgão da ONU), Josette Sheeran, que foi a Rafah, cidade egípcia na fronteira com Gaza, para avaliar a situação. O PMA diz que é cada vez mais difícil adquirir comida nos mercados de Gaza, que as padarias estão sem farinha, que os moinhos estão ficando sem trigo, e que muita gente tem medo de sair de casa para se abastecer.

"A situação em Gaza é sombria, com pelo menos 80 por cento das pessoas precisando de assistência alimentar urgente", disse Sheeran, que enviou subordinados a Jerusalém para pressionar as autoridades israelenses a facilitar o acesso da ajuda.

Fontes palestinas estimam que, após duas semanas de ataques israelenses, 783 pessoas tenham morrido na Faixa de Gaza, muitas delas civis. Israel diz que a ofensiva visa a impedir disparos de foguetes de militantes islâmicos contra seu território.

"É crítico que o PMA e todos os trabalhadores humanitários tenham acesso livre e desimpedido ao povo de Gaza neste momento difícil", disse Sheeran, acrescentando que há alimentos em depósitos à espera da entrega para os famintos.

O PMA pretende intensificar suas operações em Gaza para atender a 360 mil pessoas que não são refugiadas. A UNRWA, outra agência da ONU, pretende prestar assistência alimentar a 1,1 milhão de refugiados da Faixa de Gaza.

O PMA diz ter distribuído alimentos a mais de 70 mil pessoas durante pausas nos combates nas últimas duas semanas, inclusive em hospitais.

A agência disse que sua capacidade está prejudicada pelas condições perigosas. Há 130 caminhões no posto fronteiriço de Kerem Shalom, com 4.000 toneladas de comida, mas não há segurança para a entrada em Gaza.

(Reportagem de Stephen Brown)

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