Gbagbo classificou a ameaça feita por líderes africanos de injusta

selo

Cerca de 17 mil pessoas fugiram da Costa do Marfim para escapar da violência que se seguiu ao pleito presidencial do mês passado, disse neste sábado a agência de refugiados da ONU (UNHCR). Destes, 14 mil marfinenses buscaram refúgio na Libéria e três mil, em outros países.

A porta-voz da UNHCR para a África, Fatoumata Lejeune-Kaba, disse à BBC que a maioria dos que deixaram o país seriam simpatizantes de Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o vencedor das eleições.

O governo do presidente Laurent Gbagbo classificou de injusta a ameaça do uso de força, feita na sexta-feira por líderes africanos, se ele não aceitasse a derrota eleitoral.

Ameaça
Um comunicado do bloco de nações oeste-africanas (Ecowas) ameaçou nesta sexta-feira usar "força legítima" se Gbagbo se recusar a deixar o cargo e aceitar a derrota para Ouattara.

"No caso de o sr. Gbagbo não atender as exigências da Ecowas, a comunidade não terá alternativas a não ser adotar medidas, incluindo o uso de força legítima, para atingir os objetivos da população da Costa do Marfim", disse o comunicado, emitido ao fim do encontro de emergência que foi convocado para discutir a crise no país.

A Ecowas e outras entidades internacionais reconheceram a vitória de Outtara nas eleições do mês passado.

Após o encontro da Ecowas em Abuja, Nigéria, a entidade disse que enviaria um representante à Costa do Marfim para encontrar Gbagbo.

Missões de paz
O chanceler nigeriano rejeitou a possibilidade de um governo de unidade envolvendo os dois rivais, nos moldes dos criados no Zimbábue e no Quênia após eleições contestadas.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, que também acumula a chefia da Ecowas, já havia escrito a Gbagbo oferecendo-lhe asilo político.

Há rumores de que a entidade poderia enviar tropas para se juntar aos cerca de 10 mil soldados da ONU na Costa do Marfim.

Soldados da ONU protegem o hotel onde está Ouattara
A Ecowas já enviou missões de paz, na década de 1990, à Libéria e Serra Leoa.

Hotel
Na quinta-feira, a TV estatal, uma das principais ferramentas de Gbagbo para manter-se no poder, foi tirada do ar em áreas fora da cidade de Abidijan, a maior do país.

Ouattara e seus simpatizantes estão isolados em um hotel no centro de Abidijan, protegidos pelas tropas de paz da ONU.

Ele agradeceu o apoio que vem recebendo da comunidade internacional e alertou para violações dos direitos humanos que vêm ocorrendo no país por parte do atual governo.

As eleições de novembro tinham o objetivo de unir o país, após a guerra civil de 2002 dividiu o país, o maior produtor mundial de cacau, em dois.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.