ONU diz faltar comida para distribuir em Gaza

GAZA (Reuters) - Uma agência humanitária da ONU disse na quinta-feira estar sem mantimentos para alimentar 750 mil palestinos na Faixa de Gaza, onde Israel bloqueia a distribuição de ajuda devido ao seu conflito com o governo islâmico do Hamas. Sem combustível, as autoridades locais desativaram a única usina elétrica de Gaza, e Israel mantém os acessos comerciais interditados pelo décimo dia consecutivo.

Reuters |

Israel disse que ter reforçado suas restrições devido a ataques de militantes com foguetes.

"Esgotamos (os mantimentos) nesta noite, e se os entrepostos fronteiriços não abrirem (...) não receberemos esses alimentos em Gaza", disse John Ging, alto funcionário da UNRWA, agência da ONU que presta ajuda aos palestinos.

De acordo com Ging, a situação econômica em Gaza é "desastrosa".

Na quinta-feira, a UNRWA distribuiu rações de alimentos a moradores de Gaza, mas as próximas entregas estão suspensas.

Alguns dos 1,5 milhão de moradores da Faixa de Gaza dizem que há alimentos suficientes, embora alguns itens estejam em falta. Cerca de metade da população da região, especialmente em campos de refugiados, depende da ajuda alimentar da UNRWA.

Em Bruxelas, Karen AbuZayd, diretora da UNRWA, disse à Reuters que Israel parece estar restringindo os critérios para autorizar a ajuda humanitária, e que alguns itens, especialmente educacionais, serão excluídos de futuros embarques.

O Exército de Israel disse que militantes dispararam mais foguetes contra o sul do país, sem deixar vítimas. Na véspera, soldados mataram quatro ativistas do Hamas durante incursão na Faixa de Gaza.

Israel diz, porém, que continua respeitando a trégua mediada pelo Egito, em vigor desde junho. "Sem dúvida, ela está fraquejando, mas não terminou", disse o vice-ministro de Defesa, Matan Vilnai, à Rádio Israel.

Desde 4 de novembro Israel impede a ONU e outras agências de levarem mantimentos para a Faixa de Gaza. Naquele dia, militares invadiram o território para destruir aquilo que o Exército descreveu como um túnel construído por militantes para sequestrar soldados israelenses.

Seis militantes do Hamas morreram na invasão, e o grupo reagiu lançando foguetes, algo que não deveria acontecer sob a trégua -- a qual exige também que Israel suspenda gradualmente o bloqueio à Faixa de Gaza, que se tornou mais rígido desde que o Hamas expulsou as forças da facção laica Fatah e assumiu o controle do território, há um ano.

(Reportagem de Adam Entous, em Jerusalém, Nidal al-Mughrabi, no Cairo, e Ingrid Melander, em Bruxelas)

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