ONU discute repercussões de acusações contra presidente do Sudão

Nações Unidas, 16 jul (EFE) - O Conselho de Segurança da ONU discutiu hoje as repercussões para o conflito de Darfur da acusação de genocídio apresentada pela Promotoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir.

EFE |

A confirmação foi feita pelo embaixador do Reino Unido, John Sawers, na saída de uma reunião do principal órgão sobre a missão de paz conjunta da ONU e da União Africana em Darfur (Unamid).

"Algumas delegações tocaram o tema, mas não há qualquer proposta sobre a mesa", disse o diplomata.

Sawers considerou prematuro abordar no Conselho de Segurança a situação legal do presidente sudanês porque os magistrados do TPI não se pronunciaram sobre a ordem de detenção solicitada em 14 de julho pela Promotoria.

No entanto, incentivou o Sudão a dar "um passo adiante" e entregar os dois cidadãos sudaneses sobre os quais já pesa uma ordem de captura por crimes de guerra.

O TPI acusa o ex-ministro do Interior, Ahmad Mohammed Harun, e ao líder das milícias Janjaweed, Ali Kushayb, de 51 acusações por crimes supostamente cometidos durante a repressão dos grupos armados de Darfur enfrentados com o Governo central.

"Qualquer avanço rumo à cooperação com o tribunal internacional será muito bem-vinda e será levada em conta", disse.

Sawers assegurou que "uma das frustrações" do promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, é a falta de cooperação do Executivo presidido por Bashir com o tribunal penal de Haia.

Cartum ignorou os repetidos chamados do tribunal e do Conselho de Segurança da ONU para que entregue a Ali Kushayb e Harun, que segue fazendo parte da Administração sudanesa como responsável de assuntos humanitários.

Membros do Conselho de Segurança próximos ao Sudão, como China e África do Sul, expressaram nos últimos dias preocupação com as conseqüências negativas sobre o processo de paz de Darfur que pode ter a acusação do presidente Bashir.

Uma das possibilidades com as quais trabalham os representantes do Sudão perante a ONU é que o principal órgão use seu poder para adiar pela ordem de detenção, uma vez os magistrados aceitem a solicitação da Promotoria.

A entrega dos dois sudaneses acusados seria um gesto que o Conselho de Segurança poderia levar em conta na hora de decidir se vai intervir no processo judicial, segundo fontes diplomáticas. EFE jju/db

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