ONU deve se reunir na segunda-feira para debater crise em Honduras

A Assembleia geral das Nações Unidas deverá se reunir em caráter de emergência na segunda-feira (29) para analisar a crise em Honduras, onde o presidente Manuel Zelaya foi derrubado e expulso para a Costa Rica, anunciou um porta-voz neste domingo.

Redação com agências |

O presidente da Assembleia geral, Miguel D'Escoto, agendou a reunião para segunda-feira às 13h de Brasília, a pedido do embaixador hondurenho na ONU, Jorge Reina Idiaquez, declarou o porta-voz de D'Escoto, Enrique Yeves.

Neste domingo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) já aprovou por aclamação uma resolução de sete pontos que condena "energicamente" o golpe militar efetuado contra Zelaya.

Expulsão

Neste domingo, o presidente do Congresso de Honduras, Roberto Micheletti, foi designado pelo Parlamento à presidência do país no lugar de Manuel Zelaya, preso e expulso para a Costa Rica pelos militares. Uma de suas primeiras medidas foi decretar um toque de recolher no país por 48 horas.

Micheletti, até hoje presidente do Congresso, assegurou que receberia "com muito gosto" Zelaya se ele então desejar retornar, mas sem o apoio do governante da Venezuela, Hugo Chávez.

Reuters
Manuel Zelaya

O Congresso decidiu por unanimidade "desautorizar" Zelaya devido a sua "conduta claramente irregular", às suas "repetidas violações da Constituição e das leis" e a seu "desrespeito das resoluções e decisões dos órgãos institucionais".

Em consequência, decidiu "lhe retirar o cargo de presidente da República de Honduras" e nomear em seu lugar o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, até o dia 27 de janeiro de 2010, quando expira o mandato de Zelaya.

Eleito para um mandato de quatro anos não renovável, Zelaya tinha convocado neste domingo uma consulta popular, considerada ilegal pela Corte Suprema, para emendar a Constituição e poder disputar um segundo mandato no dia 29 de novembro.

O golpe

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido neste domingo pelo Exército antes da realização de um polêmico referendo no País. Ele foi levado por soldados a uma base aérea próxima à residência presidencial e enviado para a Costa Rica.

O Poder Judiciário de Honduras respaldou a ação das Forças Armadas de deter e deportar Zelaya. Fora das fronteiras do País, no entanto, o chefe de Estado recebeu um forte apoio da comunidade internacional, que condenou a deposição do líder.

Em San José, capital da Costa Rica, onde se encontra como "hóspede", Zelaya anunciou sua intenção de terminar seu mandato e negou em declarações à emissora "CNN" em espanhol ser o autor de uma carta de renúncia lida hoje no Congresso hondurenho e aceita por seus membros, reunidos em sessão extraordinária.

"Nunca renunciei e nunca vou utilizar esse mecanismo", disse o chefe de Estado.

"O que estou deduzindo agora é que não é um golpe militar, é uma conspiração" político-militar contra a democracia, assegurou Zelaya.

O Brasil

O Governo brasileiro condenou "de forma veemente" o golpe de Estado que tirou o presidente José Manuel Zelaya do poder e pediu que ele seja reposto, em comunicado divulgado no início desta tarde. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região", afirma a nota.

Reação

Em uma reunião de emergência em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o que chamou de "golpe de Estado" em Honduras.

A OEA se havia dito preocupada com as consequências que um enfrentamento entre os diferentes poderes poderia ter sobre "o processo político institucional democrático e o exercício legítimo do poder".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que "respeite as normas democráticas e o Estado de direito". A prisão de Zelaya também foi condenada pela União Européia.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado político de Zelaya, acusou o "império ianque" pela derrubada do presidente hondurenho.

Com informações da Reuters, BBC Brasil, EFE e AFP

Leia mais sobre: Honduras


    Leia tudo sobre: américa latinahonduras

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG